Laboratório gratuito seleciona 25 participantes para formação híbrida em crítica teatral e espetáculos, com apoio da UFES, UFRJ e Funcultura
Se você já saiu de um espetáculo de dança ou teatro com a cabeça fervendo e pensou: “isso daria um texto incrível, mas por onde eu começo?”, ou “eu escreveria uma crítica melhor que essa”, chegou a sua hora de provar. Afinal, quem disse que crítica de arte precisa ser algo sisudo, escrito por um acadêmico de terno em uma sala escura? A arte acontece no corpo, e a reflexão sobre ela também.
Se você já saiu de um espetáculo pensando Estão abertas até sexta-feira (20) as inscrições para o Laboratório de Crítica em Artes da Cena LACRAR.Lab, iniciativa gratuita que vai selecionar 25 pessoas para uma imersão formativa em análise e produção de textos críticos sobre teatro, dança e outras expressões cênicas no Espírito Santo.
A proposta não é apenas assistir e opinar. É aprender método, técnica e responsabilidade. Afinal, crítica não é “achismo com vocabulário rebuscado”. É análise fundamentada, contexto histórico e olhar sensível. E, convenhamos, a cena cultural capixaba merece isso.
Como vai funcionar o Laboratório?
O projeto, realizado pela Maytê Hensso Criações Artísticas e pela Descalços Cia de Artes, aposta em um formato híbrido (virtual e presencial) com carga horária total de 48 horas. A ideia é unir a teoria à prática de campo, levando os alunos para a “beira do palco”.
Etapa Online: De 02 a 05 de março, via Google Meet.
Imersão Presencial: Aulas no Sônia Cabral entre 09 e 13 de março (20 horas de formação).
Prática de Campo: Os participantes assistirão a obras do Festival de Verão do Sônia Cabral 2026, participarão de debates com artistas e produzirão suas próprias críticas.
O melhor de tudo? As produções resultantes passarão por orientação e poderão ser publicadas em canais digitais ou impressos, criando um registro histórico e dialógico para a cultura do estado.
Além das aulas, os participantes assistirão a duas obras no próprio Sônia Cabral, seguidas de bate-papo com artistas. Depois, vem o desafio: escrever a crítica. O curso começa em 2 de março e termina no dia 24, com a entrega dos textos finais. O resultado da seleção será divulgado no dia 24 (terça-feira anterior ao início das atividades).
O laboratório tem como público prioritário grupos e corporeidades dissidentes, pessoas LGBTQIAPN+, identidades femininas (mulheres trans, cis e travestis), pessoas não binárias, negras e indígenas. Para se inscrever, é necessário ter pelo menos 18 anos e residir no Espírito Santo. A curadoria do projeto aposta na ampliação de vozes na crítica cultural, historicamente marcada por pouca diversidade.
Como dito, a iniciativa é produzida por Maytê Hensso, CEO da Maytê Hensso Criações Artísticas e diretora da Descalços Cia de Artes. O projeto conta com apoio institucional do Palácio da Cultura Sônia Cabral, parceria da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A realização é da Descalços Cia de Artes e do Fundo de Cultura (Funcultura), da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via Ministério da Cultura.
Em um momento em que o debate sobre formação de público e fortalecimento da cadeia produtiva cultural ganha destaque nacional, iniciativas como essa dialogam com diretrizes do próprio Ministério da Cultura, que tem defendido a ampliação da formação crítica como ferramenta de democratização do acesso e qualificação do debate artístico.
Segundo pesquisadores da área de artes cênicas, como a professora Sílvia Fernandes, da USP, a crítica exerce papel essencial na mediação entre obra e público, contribuindo para memória cultural e reflexão estética. Não se trata de “dar nota”, mas de construir pensamento. Em tempos de redes sociais e comentários instantâneos, formar críticos com embasamento é quase um ato revolucionário. É sair do “gostei, não gostei” e entrar no “por que isso importa?”.
O LACRAR.Lab não é só sobre escrever. É sobre olhar com atenção, ouvir com profundidade e dialogar com responsabilidade. E se arte é espelho do mundo, a crítica é a lente que ajuda a focar. Quem sabe daqui não saia a próxima grande voz da crítica capixaba? Afinal, opinião todo mundo tem. Mas argumento bem construído… isso é outra cena.







