25 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Greve Negra Já! ocupa o MAES com arte e enfrentamento

Exposição de Luciano Feijão transforma o Museu de Arte do Espírito Santo em espaço de debate sobre racismo estrutural, trabalho e consciência de classe afrocentrada

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Se você ainda acha que museu é lugar de silêncio absoluto e passos tímidos, talvez precise rever o roteiro. Às vezes, o barulho mais potente é o da reflexão. E nesta terça feira (24), o Museu de Arte do Espírito Santo abre espaço para uma exposição que não sussurra, ela questiona. “Greve Negra Já!”, do artista Luciano Feijão, chega ao MAES às 17h com uma proposta direta: pensar a exploração histórica do trabalho negro e tensionar as estruturas que ainda sustentam desigualdades no Brasil.

Realizada em articulação com o Movimento Grevista Negro e com recursos do Funcultura, via edital da Secretaria da Cultura do Espirito Santo, a mostra reúne desenhos e instalações que investigam as formas históricas de representação do corpo negro. O foco está nas engrenagens que naturalizam hierarquias raciais e nas bases econômicas que se alimentam da exploração.

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A proposta é clara: transformar a ideia de greve em gesto político e simbólico. Não apenas parar máquinas, mas interromper narrativas. Segundo dados do IBGE, trabalhadores negros ainda ocupam, proporcionalmente, postos com menor remuneração e maior informalidade no país. A exposição dialoga com essa realidade sem didatismo simplista, mas com contundência estética.

Afrocentricidade e consciência de classe

O conceito de consciência afrocentrada atravessa o projeto. A ideia não é apenas denunciar, mas reorganizar o olhar. Como apontam estudos da socióloga Lélia Gonzalez, referência nos debates sobre raça e classe no Brasil, o racismo estrutural está intrinsecamente ligado à formação econômica do país. A mostra ecoa esse pensamento ao evidenciar que a exploração do trabalho negro não é capítulo encerrado, mas processo continuamente atualizado.

Entre traços e instalações, Feijão propõe um enfrentamento radical da lógica do capital que transforma corpos em força produtiva descartável. A greve, nesse contexto, aparece como recusa, reorganização e reinvenção.

Em tempos de redes sociais aceleradas e opiniões instantâneas, ocupar o museu com debates estruturais é quase um ato de resistência. E não, não é assunto “pesado demais”. É urgente. A arte contemporânea tem cumprido papel central na mediação de debates sociais, aproximando públicos diversos de temas complexos.

Ao abrir a temporada expositiva com “Greve Negra Já!”, o MAES reafirma seu compromisso com produções que dialogam com o presente e com as tensões do nosso tempo. A pergunta que fica é simples e desconfortável: quem produz riqueza e quem usufrui dela? Talvez a resposta não esteja apenas nas estatísticas, mas também nas paredes do museu. E se arte é espelho, vale a pena encarar o reflexo.

Serviço

Exposição: Greve Negra Já!
Artista: Luciano Feijão
Abertura: 24 de fevereiro
Horário: 17h
Local: Museu de Arte do Espírito Santo (MAES)
Endereço: Avenida Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória

Realização com recursos do Funcultura, Edital 09 2023, da Secretaria da Cultura do Espírito Santo

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Daniel Bones
Daniel Bones
Sou o "Severino do Audiovisual Capixaba", já atuei em diversas áreas como fotografia, edição, sou ator, compositor, produtor e diretor de filmes e TV. Gosto de contar histórias. Ponto Final. (...) Aqui, minha coluna é cultural, mas vive com uma dor postural. Eventos, Arte, Cultura, Cinema e Teatro são comigo aqui! Se quiser, siga essa doideira ai!

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