E Eu, Mulher Preta: Formação gratuita reúne mulheres negras em dois dias de arte, reflexão e fortalecimento coletivo em Jacaraípe
Em tempos de excesso de opinião e pouca escuta, parar dois dias para refletir sobre raça, gênero e pertencimento já é um gesto político. Melhor ainda quando isso acontece em roda, com troca, afeto e criação artística. Estão abertas até 28 de fevereiro as inscrições para a imersão antirracista “E Eu, Mulher Preta?”, que será realizada nos dias 14 e 15 de março, no Sítio Mirante, em Jacaraípe, na Serra.
A atividade oferece 30 vagas gratuitas e é voltada exclusivamente para mulheres negras acima de 18 anos residentes no Espírito Santo. Hospedagem e alimentação serão custeadas pelo projeto. O transporte até o local é de responsabilidade das participantes, com exceção de um ônibus que sairá da Praça Costa Pereira, em Vitória, às 7h do dia 14.
A imersão nasce como desdobramento da exposição homônima, que articula arte, memória e direitos humanos como estratégias de enfrentamento ao racismo. Segundo a idealizadora Marilene Pereira, a proposta amplia o formato expositivo ao transformar o espaço artístico em território de participação ativa e construção coletiva.
A programação inclui rodas de conversa, práticas de criação coletiva, vivências corporais e momentos de cuidado e escuta. A metodologia considera o corpo e as dimensões emocionais como parte essencial do processo formativo. Em outras palavras, não é só teoria. É experiência.
Entre as convidadas estão Juliana Gonçalves, jornalista e articuladora política, e Andrea Mendes, artista visual, curadora e educadora. As participantes também irão construir o Painel do Presente Futuro, ferramenta coletiva que reúne palavras, imagens e registros produzidos durante os encontros.
O projeto dialoga com debates contemporâneos sobre interseccionalidade, conceito amplamente discutido por intelectuais como Kimberlé Crenshaw, que analisa como raça, gênero e classe operam de forma combinada nas estruturas sociais. No Brasil, dados do IBGE mostram que mulheres negras seguem entre as mais afetadas por desigualdades de renda e acesso a direitos, o que reforça a importância de espaços de formação e articiculação.
Para participar, é necessário ser mulher negra maior de 18 anos, residir no Espírito Santo e comprovar atuação em movimento ou coletivo de mulheres negras. Também é exigida disponibilidade integral nos dois dias e envio de uma escrita autoral ou referência artística de autoria de mulher negra. Em caso de empate, vale a ordem de inscrição.
A proposta é clara: criar um espaço de fortalecimento, consciência crítica e criação compartilhada. Como dizem as organizadoras, não há respostas certas ou erradas. O que se pede é verdade e presença.
No fim das contas, talvez a pergunta do título não seja retórica. “E eu, mulher preta?” pode ser também afirmação, gesto e construção de futuro.
Serviço
Imersão “E Eu, Mulher Preta?”
Data: 14 e 15 de março de 2026
Local: Sítio Mirante, Jacaraípe, Serra
Inscrições: gratuitas, de 20 a 28 de fevereiro
Público: mulheres negras acima de 18 anos
Formulário: https://forms.gle/7evWkjnzf5NwkZxn8
Transporte coletivo saindo da Praça Costa Pereira às 7h do dia 14
Contato imprensa: (27) 99286 9832 – Thais Rodrigues
Realização: E Eu, Mulher Preta? e Instituto Parceiros do Bem, em parceria com o Ministério da Igualdade Racial – Governo do Brasil







