Mariela Bier Teixeira (*)
Recentemente, Marina Sena, artista pop e companheira de Juliano Floss, fez um comentário pertinente em suas redes sociais sobre o Big Brother Brasil 26, reality show que conta com a participação de Juliano. Ela destacou o comportamento de Jonas, um participante que encarna uma masculinidade heteronormativa baseada na ostentação da figura do “homem hétero top”. A declaração de Marina foi direta:
– Jonas, você é um modelo masculino falido, que já saiu de moda. Lamento informar.
Com essa breve fala, Marina trouxe para o centro do debate um tema crucial: o padrão de masculinidade exemplificado por Jonas, de 40 anos, que promove atitudes homofóbicas e usa traços femininos como alvo de ridicularização. Essa conduta revela a misoginia e a homofobia que ainda permeiam certos arquétipos masculinos, sustentados por uma construção social que há gerações alimenta o machismo. Embora a masculinidade de Jonas esteja obsoleta, o BBB26 apresenta outras figuras em decadência, como Edilson e Cowboy.
Exemplos de masculinidade em crise
Edilson, apelidado de Capetinha, é um ex-atleta de futebol de 55 anos que foi eliminado do programa após agredir fisicamente Leandro Boneco. Ele personifica uma masculinidade que não consegue resolver divergências pelo diálogo, encarando a agressão como um método válido para reafirmar poder e demonstrar domínio. A propensão à violência é uma característica marcante desse modelo masculino em declínio.
Alberto Cowboy, empresário de 49 anos, representa outro caso de masculinidade em crise. Apesar de tentar se portar de maneira amistosa, sua essência vem à tona quando é contestado. Sua tática habitual é desqualificar quem o confronta ao se ver sem respostas, recorrendo ao que na filosofia se chama de “argumentum ad hominem”, ou seja, atacar o interlocutor em vez de contrapor suas ideias. Trata-se de uma forma sutil de violência psicológica e emocional, típica dessa masculinidade tóxica.
Novos modelos em ascensão
Por outro lado, o reality também destaca novas expressões de masculinidade. Juliano Floss, dançarino e cantor de 21 anos e alvo de ataques de Jonas, simboliza um novo arquétipo: um homem que não teme vivenciar e externalizar sentimentos, demonstrando responsabilidade emocional, empatia e fidelidade. Ele é um exemplo de masculinidade emergente, que pode sorrir e chorar com igual intensidade, sem constrangimento.
Leandro Boneco, produtor cultural e arte-educador de 42 anos, também representa essa mudança. Em uma festa, ele recusou o convite de Marciele para dançar, justificando de modo respeitoso que, devido ao consumo de álcool, preferia zelar pela imagem de ambos. Sua atitude foi assertiva, fundamentada no respeito e na argumentação, sem apelar para a agressividade. Boneco ainda teve outro momento significativo ao rebater Capetinha por um comentário machista. Um aliado das mulheres é aquele que se manifesta.
Babu, ator, cantor e veterano da edição de 2020, aos 46 anos, retorna ao programa como um expoente do homem que não teme chorar. Suas lágrimas funcionam como um mecanismo de regulação emocional diante de cenários de estresse e melancolia, permitindo que ele libere a carga sentimental e reorganize suas ideias.
O reality como laboratório social
Dessa forma, o BBB26 se estabelece como um autêntico laboratório social, onde distintas manifestações de masculinidade se confrontam e expõem suas fraquezas perante a audiência. A cada semana, máscaras caem, padrões antiquados são postos em xeque e novos comportamentos se fortalecem, fomentando debates essenciais sobre respeito, afetividade e a premente necessidade de reconstruir as relações humanas. O programa atua como um espelho da sociedade brasileira, mostrando não apenas o machismo e a misoginia que alicerçam nossa estrutura, mas também as potenciais transformações dos homens que desejam uma sociedade mais segura para as mulheres. Homens que não hesitam em mostrar vulnerabilidade começam a ser valorizados, desafiando antigos “modelos” que, por tanto tempo, foram tidos como referência.
(*) Professora de educação especial, especialista em tecnologias digitais na educação.







