Como as crianças estão transformando as tendências do entretenimento

Cultura Pop Coreana

Em uma palestra voltada para o público infantil e para o K-pop, Bernie Cho, presidente da DFSB Kollective — uma agência de serviços para artistas e gravadoras sediada em Seul — destacou a forte influência da cultura coreana na mídia ocidental. Ele revelou que existem mais de 225 milhões de fãs de K-pop no mundo, e apenas 3,6% se identificam como coreano-americanos. Cho também ressaltou que esses fãs gastam três vezes mais do que outras bases de fãs, e que 21,4% da receita da HYBE, empresa de gestão e promoção musical, vem de produtos licenciados.

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O Futuro da Propriedade Intelectual: Formato Curto ou Longo?

A plataforma TikTok é conhecida pelo conteúdo de curta duração e é considerada a principal rede social por 68% dos jovens entre 12 e 17 anos. A popularidade desse formato levou até o YouTube a criar o YouTube Shorts. Os microdramas chineses, séries episódicas de formato breve, também ganharam espaço no Kidscreen, mostrando o crescimento de um setor que já movimenta US$ 11 bilhões. Com base nessas discussões, o conteúdo curto parece dominar, um fato confirmado pela pesquisa da Dra. Gloria Mark, especialista em atenção, que indica que o tempo médio de concentração caiu de aproximadamente dois minutos e meio em 2004 para apenas 47 segundos hoje. No entanto, o sucesso de webtoons, a versão coreana dos mangás, e de conteúdos longos no YouTube questionam essa tendência. Seja no TikTok ou no YouTube, em microdramas ou webtoons, um elemento permanece constante. Segundo os palestrantes, as crianças se conectam com o que desperta seu envolvimento emocional, independentemente da duração, mas é essencial capturar seu interesse pela propriedade intelectual desde o início.

Ashley Maidy, diretora administrativa de produtos e experiências de consumo da Moonbug Entertainment, afirma que é preciso conquistar a Geração Alpha nos primeiros trinta segundos, antes que elas passem para o próximo conteúdo.

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Qualquer formato pode gerar a próxima grande propriedade intelectual a transformar o setor de licenciamento, desde que consiga engajar suficientemente o público infantil para fazê-lo sempre voltar.

A Expansão Constante do Anime

Assim como o K-pop, o anime foi um tema de grande destaque no Kidscreen Summit. Eric Calderon, YouTuber e consultor criativo especializado em anime na Lion Forge, falou sobre a influência significativa dessa mídia na cultura jovem. Semelhante ao fenômeno do K-pop, os fãs de anime não têm um perfil visual único, com o fandom abrangendo diversos gêneros, gerações, origens raciais e culturais. Ainda assim, essa forma de entretenimento se tornou mainstream, especialmente para as gerações Z e Alpha.

Calderon apresentou números que comprovam o poder econômico das principais franquias: “Pokémon” gerou US$ 110 bilhões, “Dragon Ball” US$ 30 bilhões, “One Piece” US$ 20 bilhões e “Demon Slayer” US$ 8,75 bilhões. Os mangás japoneses, precursores do anime, e os webtoons coreanos também representam receitas bilionárias.

Experiências Imersivas Baseadas em Localização (LBE)

As experiências baseadas em localização foram um tópico importante entre os profissionais de licenciamento no evento, especialmente devido ao seu apelo para o público mais jovem. Em um painel que debateu como a Geração Alpha descobre marcas licenciadas, executivos concordaram que as crianças de hoje não querem experiências comuns.

John Parker, diretor executivo e produtor da Patencio Development, comentou que os fãs desejam se envolver ativamente com o programa e trazê-lo para seu próprio mundo.

George Wade, presidente da Bay Laurel Advisors, compartilhou histórias de seus filhos e neto frequentando esse tipo de experiência na mesma idade. Enquanto seus filhos ficavam satisfeitos em apenas assistir a “Vila Sésamo” ao vivo, seu neto, ao ver “Daniel Tiger’s Neighborhood” no palco, demonstrou uma mudança de comportamento.

Wade conta que a criança queria fazer parte do espetáculo, não apenas observá-lo.

A Integração da Tecnologia e da Inteligência Artificial

As crianças são nativas digitais em um nível sem precedentes. As sessões do Kidscreen focadas em Roblox e IA deixaram isso claro. Mais de 30 milhões de jogos estão disponíveis no Roblox, com atualizações ao vivo sendo lançadas constantemente. Por isso, as marcas estão presentes nessa plataforma, já que é para lá que a atenção se volta, como destacou Stephen Dypiangco, diretor executivo da Max Power Gaming, durante a palestra sobre crianças e Roblox.

O Roblox não foi a única tecnologia em discussão. Ryan Scofield, diretor de marketing e consultor de estratégia da Create Brand Momentum e KidSay, falou sobre inteligência artificial no evento. De acordo com os cálculos de sua empresa, o uso de IA cresceu 159% entre adolescentes e 126% entre pré-adolescentes nos últimos dois anos. Scofield observou que a maioria das crianças tem computador, iPad e/ou smartphone, o que fará a tecnologia continuar a se expandir em todas as facetas de suas vidas. As crianças veem a IA como uma amiga e uma professora, mas percebem quando a qualidade é baixa, portanto, a excelência ainda é crucial. Da ajuda nas tarefas escolares à criação de propriedade intelectual, a IA certamente causará impacto, mas, por enquanto, é uma novidade que tende a se tornar “invisível”, nas palavras de Scofield. Em vez de um uso constante, a IA será buscada por meio de experiências significativas. Ela será generativa, adaptativa, preditiva e interativa, mas isso traz a responsabilidade de ensinar ética desde cedo e de garantir que seu impacto, do ambiental ao social, seja positivo.

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