Pânico 7 coloca Sidney Prescott novamente no centro da história, desta vez estabelecida numa cidade litorânea com seu marido policial e seus filhos adolescentes. A expectativa por uma vida nova se desfaz rapidamente com o retorno de Ghostface, que agora usa inteligência artificial e deepfakes para distorcer imagens e espalhar o medo. Embora o conceito seja atual, a execução dificilmente vai além da mera proposta.
A produção tenta abordar a fascinação por crimes reais, o peso de traumas passados e o universo digital, mas lida com esses temas de forma superficial. Sidney aparece quase inteiramente como uma vítima marcada pelo passado, e seus desentendimentos com a filha soam cíclicos e pouco convincentes. O conflito doméstico, que deveria ser a base do suspense, perde força com diálogos excessivamente explicativos.
Inteligência artificial sem profundidade
O uso da tecnologia como arma do vilão poderia permitir uma análise mais afiada sobre falsificação e identidade no mundo contemporâneo. No entanto, o enredo se limita a usar esse elemento como pretexto para cenas de susto e reviravoltas óbvias. A crítica social fica pela metade.
Mesmo ao tentar tocar em temas como o fandom obsessivo e a repetição de um ciclo violento, a narrativa não explora essas ideias com solidez. Em vez de reinventar os clichês, como fez em 1996, o filme recorre a fórmulas já gastas, deixando de lado a força autorreferencial que deu importância à série.
Mais violência, menos tensão
As cenas de morte são mais cruéis, mas falta uma construção de suspense adequada. A direção opta por encenações tradicionais, com um ritmo desequilibrado e sequências que se estendem sem necessidade. A apreensão raramente se desenvolve de forma orgânica, e a identidade dos assassinos fica evidente antes do desfecho.
O elenco coadjuvante também sofre com uma caracterização limitada. Personagens aparecem e somem sem deixar marca relevante, enquanto aparições nostálgicas não compensam a falta de originalidade. A ausência de figuras centrais dos filmes mais recentes reforça a impressão de uma transição mal conduzida.
No fim das contas, Pânico 7 oferece um entretenimento passageiro, mas não encontra uma razão artística para existir. A franquia que começou como uma sátira aos exageros do terror agora parece refém das mesmas convenções que outrora ridicularizava.






