Casa da Memória é reinaugurada como o primeiro museu tecnológico do Espírito Santo, unindo passado colonial, inovação digital e experiências imersivas gratuitas
Se paredes falassem, a Casa da Memória já teria virado podcast histórico, série documental e talvez até um streaming próprio. Mas em 23 de maio, aniversário de 491 anos de Vila Velha, o espaço vai além da imaginação e se transforma oficialmente no primeiro museu tecnológico do Espírito Santo, no coração do Sítio Histórico da Prainha.
A reinauguração marca uma nova fase do museu, que passa a oferecer um percurso expositivo interativo com pelo menos 18 aplicações tecnológicas. O visitante não apenas observa a história: ele conversa com ela, caminha por ela e, em alguns momentos, praticamente entra dentro dela.
Ao longo do circuito, o público será guiado por personagens históricos em experiências digitais que misturam realidade aumentada tridimensional, quadros vivos, jogos educativos, peças táteis produzidas em impressão 3D, audioguias em vários idiomas e conteúdos hipermídia acessados por QR Code.
É o tipo de museu onde a criança aprende brincando, o adulto se surpreende e o celular, pela primeira vez, é aliado da educação (milagre tecnológico).
Especialistas em museologia digital apontam que experiências imersivas aumentam em até 40 por cento a retenção de conteúdo histórico, aproximando novas gerações dos patrimônios culturais.
Um dos destaques é o espaço “Janela do Tempo Petrobras”, que narra os seis ciclos econômicos do Espírito Santo: pau-brasil, açúcar, café, minério, mármore e granito, petróleo e gás. Com telas em alta definição e narrativa cronológica, o ambiente valoriza especialmente o ciclo atual, mostrando o impacto da Petrobras no desenvolvimento do estado.
O projeto tem patrocínio da Petrobras Cultural, via Lei Rouanet, e realização do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha (IHGVV), com apoio da Prefeitura de Vila Velha.
Criado em 1997, o museu ocupa uma casa de 1893, restaurada por moradores da Prainha e voluntários nos anos 1990. O acervo do IHGVV reúne fotos antigas, jornais, instrumentos de navegação, bandeiras históricas, estátuas de Vasco Fernandes Coutinho e da Capitoa Luiza Grinalda, além do famoso Bonde 42, de 1930, restaurado e preservado como símbolo da mobilidade urbana capixaba. Ou seja: é praticamente uma máquina do tempo com telhado colonial.
A Casa da Memória oferece acessibilidade física completa, audiodescrição, circuito adaptado e entrada gratuita. O funcionamento será de terça a domingo, em horário estendido, reforçando o papel do museu como espaço educativo, turístico e cultural.
No fim das contas, a nova Casa da Memória prova que tradição não precisa ser parada no tempo. Pode ter wi-fi, realidade aumentada e muita história pra contar. Um presente de aniversário à altura de Vila Velha, que segue olhando para o futuro sem esquecer de onde veio.







