A Batalha das notas na Sapucaí começa às 16h e promete emoção até o último envelope
A escola campeã do Carnaval 2026 do Rio de Janeiro será definida nesta quarta-feira (18) de fevereiro, a partir das 16h, com uma série de mudanças no regulamento e nos critérios de avaliação. Ao todo, as agremiações serão avaliadas em nove critérios. E cada uma das categorias pode ser dividida em até três subcritérios, que correspondem a até 4 pontos da nota final.
Com novos critérios, 54 jurados, subquesitos detalhados e metade das notas descartadas, a apuração do Grupo Especial do Rio redefine o jogo e pode mudar o rumo das escolas rumo ao título.
Se você acha que já viu roteiro cheio de reviravolta, espere a apuração do Carnaval. Nem Christopher Nolan pisaria tão fundo na matemática quanto a Liga Independente das Escolas de Samba. Nesta quarta feira, a partir das 16h, a tensão troca o tamborim pela calculadora e a passarela da Marquês de Sapucaí vira tribunal do samba.
Organizada pela Liga Independente das Escolas de Samba, a apuração traz um pacote de mudanças que impactam diretamente o resultado.
Ao todo, 54 jurados avaliaram as 12 escolas do Grupo Especial em nove quesitos: Alegorias e Adereços, Bateria, Comissão de Frente, Enredo, Evolução, Fantasias, Harmonia, Mestre Sala e Porta Bandeira e Samba Enredo. Cada quesito agora é dividido em subquesitos, totalizando 26 detalhamentos como Cadência, Fluência e Funcionalidade.
Mas aqui vem a virada: apenas 36 avaliações serão abertas. Depois disso, a menor nota de cada quesito ainda será descartada. No fim, restam 27 notas válidas. Metade do que foi dado vai para o ralo. Matemática do samba é samba de cálculo.
Segundo Thiago Farias, coordenador de jurados da Liga, a subdivisão foi aprovada pelas agremiações e tem objetivo claro. O julgamento deixou de ser comparativo e passou a ser fechado no mesmo dia. Ou seja, o foco agora é menos sobre quem foi melhor e mais sobre quem errou menos. No Carnaval, perfeição não existe, mas vacilo custa décimos.
Outra novidade é a instalação de cabines espelhadas na Sapucaí. Jurados ficam posicionados em lados opostos, exigindo que comissão de frente e casal de mestre sala e porta bandeira se apresentem em 360 graus. Não basta encantar um lado, tem que seduzir os dois. Democracia coreografada.
Além disso, regras obrigatórias seguem rígidas. O tempo de desfile deve ficar entre 70 e 80 minutos. Cada minuto fora desse intervalo custa 0,1 ponto. Ala de baianas com menos de 60 integrantes pode gerar perda de 0,5 ponto. No Carnaval, até relógio samba.
Se houver empate, o critério começa pela soma do último quesito sorteado. Persistindo, compara se o penúltimo, depois o anterior. Se ainda assim empatar, vence quem tiver mais notas 10. Se o empate continuar, analisam se as notas abaixo de 10, começando por 9,9. Em último caso, sorteio. É praticamente uma final de pênaltis com glitter.
Quem disputa o título
Entre as escolas na corrida estão Portela, Estação Primeira de Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Beija-Flor de Nilópolis e Acadêmicos do Grande Rio, entre outras potências do samba.
Em 2025, a Beija Flor levou o título com o enredo Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas, marcando seu 15º campeonato e encerrando jejum de sete anos. Agora, a disputa recomeça com novas regras e a mesma paixão.
Mais do que troféu, está em jogo o lugar na história e, para a última colocada, o rebaixamento para 2027. No Carnaval, glória e queda desfilam lado a lado.
No fim das contas, a apuração é quase um espetáculo à parte. Não tem pluma, mas tem drama. Não tem carro alegórico, mas tem tensão. E quando o último envelope for aberto, alguém vai sorrir, alguém vai chorar e o Rio vai provar mais uma vez que sabe transformar cálculo em catarse.







