Clebão de Madureira, voz marcante do samba capixaba: Músico de 47 anos deixa legado no Espírito Santo como violonista, pesquisador e referência do samba raiz
Tem vozes que a gente escuta e reconhece na primeira nota. Outras, a gente sente no peito antes mesmo de entender a letra. O samba capixaba perdeu neste sábado, 28, uma dessas vozes raras. Morreu, aos 47 anos, o músico Cléber Maia, o querido Clebão de Madureira, conhecido tambem popularmente como o Zeca pagodinho Capixaba. A informação foi confirmada por amigos e familiares nas redes sociais. Até a última atualização, a causa da morte não havia sido divulgada, mas, as ausencias estão sendo sentidas.
Natural de Madureira, bairro histórico do samba no Rio de Janeiro, Clebão fincou raízes no Espírito Santo e virou capixaba de coração. Por aqui, construiu carreira sólida como cantor, violonista de 7 cordas, além de dominar instrumentos como banjo, cavaquinho e bandolim. Era também professor e pesquisador da música brasileira, daqueles que não apenas tocam, mas explicam de onde veio cada acorde.
Madureira é berço de nomes ligados a escolas como a Portela e o Império Serrano. Crescer nesse ambiente é quase fazer pós graduação em roda de samba. Clebão trouxe essa bagagem para o Espírito Santo e ajudou a fortalecer a cena local com repertório amplo e profundo conhecimento do gênero.
Nas redes sociais, amigos o chamaram de “nosso Zeca Pagodinho capixaba”, numa referência carinhosa ao estilo descontraído e à presença de palco que lembrava Zeca Pagodinho. Mas Clebão tinha identidade própria. Segundo colegas músicos, sua marca estava no timbre grave, no fraseado seguro e na capacidade de transitar entre o samba tradicional e outras vertentes da música popular brasileira.
Uma amiga de Clebão relembrou o primeiro contato com o artista, em 2019, durante uma apresentação no chamado samba do Galetti. “Imediatamente me encantei pela sua voz e seu timbre marcante. Onde ele fosse cantar, eu queria ir atrás para ouvir”, escreveu. O depoimento resume o que muitos sentiam: Clebão era desses artistas que fidelizam público sem precisar de algoritmo.
Clebão deixa companheira, filhos, amigos e uma legião de admiradores na cena cultural capixaba. Informações sobre velório e sepultamento ainda não haviam sido divulgadas até o fechamento desta matéria.
Em tempos de playlists descartáveis, perder um artista comprometido com a raiz dói dobrado. Mas samba também é resistência. Cada roda que se forma na Grande Vitória carrega um pouco da dedicação de músicos como ele.
Que a próxima batida de pandeiro venha como homenagem. Porque quando um sambista parte, a roda não acaba. Ela aperta, silencia por um segundo e depois segue. Cantando mais forte.






