O pagode que virou trilha sonora do verão capixaba ganha registro histórico em Vila Velha: Grupo grava audiovisual no Festival Delírio Tropical e celebra duas décadas e meia de sucessos que marcaram gerações no Espírito Santo
Tem música que a gente escuta. E tem música que a gente vive. No Espírito Santo, especialmente em Vila Velha, o pagode do Mais Astral não tocava apenas nas caixas de som, ele tocava na alma do verão, no churrasco de domingo, no amor que começava na areia e no término que acabava em refrão sofrido. Agora, depois de 25 anos de estrada, o grupo capixaba transforma essa história em audiovisual, em plena Praia de Itapuã, dentro da programação do Festival Delírio Tropical, no dia 31 de janeiro.
É o tipo de comemoração que não pede bolo, pede roda de samba, pé na areia e coro do público cantando junto.
Formado atualmente por Brunão Fernandes no vocal, Christian Anderson no banjo, Jean Buquer no pandeiro, Thiago Nideck no cavaquinho e Juninho Mariquito no reco-reco, o Mais Astral virou fenômeno nos anos 2000.
O estouro nacional veio em 2004 com “Loirinha do Pagode”, música escolhida como tema da modelo Antonela no Big Brother Brasil 4. Naquela época, se você ligasse a TV e depois fosse para um bar na Praia da Costa, a chance de ouvir a música era de quase 100 por cento. Estatística científica de mesa de boteco, mas altamente confiável.
A faixa fez parte do álbum Mais Astral ao Vivo, gravado na icônica boate Blow-Up, espaço que foi praticamente uma incubadora de talentos da música capixaba.
A carreira seguiu firme com o álbum O Gosto da Felicidade (2006), produzido por ninguém menos que Torcuato Mariano, músico e produtor respeitadíssimo no cenário nacional. Depois veio No Quintal da Gente (2010), que levou o grupo ao quadro Garagem do Faustão, no Domingão do Faustão.
Ali, o Mais Astral venceu três disputas musicais com a canção “Mulher Radar”, mostrando que o pagode capixaba também sabia brilhar em rede nacional.
Em 2014, o grupo lançou Moqueca Musical, um trabalho que misturou releituras e composições autorais com participações de artistas do Espírito Santo, reforçando a identidade regional sem perder o balanço do pagode.
Para o pesquisador musical e crítico cultural Leonardo Nunes, a trajetória do grupo representa algo raro. “O Mais Astral conseguiu criar uma sonoridade própria dentro do pagode, conectando a estética praiana capixaba com a linguagem nacional do gênero. Eles são um marco da música popular do Espírito Santo”, avalia.
Ao longo dos anos, o grupo passou por eventos gigantes como a Festa da Penha, aniversários de Vitória, festivais regionais e dividiu palco com nomes como Exaltasamba, Fundo de Quintal, Alcione e Jorge Aragão. É currículo que não cabe nem no encarte de CD.
A partir de 2015, os integrantes se dedicaram a projetos paralelos, o que reduziu a frequência de shows. Mas o Mais Astral nunca acabou, só entrou naquele modo “volta já” que banda boa sabe fazer.
Como resume o vocalista Brunão Fernandes, citando um clássico do samba: “O show tem que continuar”.
A gravação no Festival Delírio Tropical não é só um show, é um registro histórico. É memória sendo transformada em imagem, som e emoção coletiva. Um presente para quem acompanhou desde o começo e uma porta de entrada para quem está descobrindo agora o pagode capixaba raiz.
Além da celebração artística, o evento reforça a importância dos festivais regionais como vitrines culturais, algo que pesquisadores de economia criativa apontam como essencial para fortalecer cenas locais e gerar circulação de artistas.
Em outras palavras, cultura também é investimento. E, no caso do Mais Astral, investimento que rende alegria há 25 anos.
Celebrar os 25 anos do Mais Astral é celebrar uma parte da história cultural do Espírito Santo. É lembrar que o pagode capixaba também construiu identidade, revelou talentos e embalou verões inteiros. Agora, com o audiovisual, essa história ganha eternidade digital. Porque música boa não envelhece. Ela só vira clássico. E clássico, meu amigo, a gente canta até rouco.
Serviço
Gravação do audiovisual Mais Astral 25 anos
Data: 31 de janeiro
Local: Festival Delírio Tropical, Praia de Itapuã, Vila Velha
Horário: a partir das 18h
Entrada: gratuita






