No dia 21 de fevereiro, é celebrado o “Dia Nacional do Imigrante Italiano”, em homenagem à chegada, em 1874, da Expedição de Pietro Tabacchi ao Espírito Santo, marcando o início da imigração em massa de italianos para o Brasil. A bordo do navio à vela “La Sofia”, 388 camponeses, principalmente trentinos e vênetos, desembarcaram em Vitória em busca de oportunidades, trabalho e uma nova vida. Para marcar essa data, uma extensa programação cultural está prevista para o próximo sábado, dia 17, envolvendo música, dança, aspectos religiosos e culinária típica.
O evento é organizado pela Associação Federativa Italiana do Espírito Santo (Comunità) e pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES), contando com a colaboração de diversas entidades.
Segue abaixo a programação detalhada:

A Imigração Italiana no Espírito Santo
Em 17 de fevereiro de 1874, o navio “La Sofia” atracou no porto de Vitória, trazendo consigo 388 imigrantes italianos. Contratados por Pietro Tabacchi, proprietário da fazenda “Monte das Palmas”, em Santa Cruz, esses imigrantes buscavam novas oportunidades. No entanto, o empreendimento de Tabacchi não prosperou, levando alguns imigrantes a seguirem para colônias oficiais no Sul do país, enquanto outros aceitaram a proposta do governo capixaba de se estabelecerem na “Colônia Imperial de Santa Leopoldina”, sendo direcionados ao Núcleo de Timbuhy, hoje localizado no município de Santa Teresa.
O Arquivo Público do Estado do Espírito Santo possui um acervo significativo de documentos que testemunham esse importante momento histórico. Entre eles, está um ofício datado de outubro de 1874, solicitando ressarcimento das despesas de viagem do colono Francesco Merlo da Itália para a Colônia de Nova Trento. Este documento embasou a Lei nº 13.617, que reconhece oficialmente Santa Teresa como pioneira da imigração italiana no Brasil.
A expedição de Tabacchi foi nomeada em homenagem ao seu idealizador. De acordo com o sociólogo Renzo M. Grosselli, autor do livro “Colônias Imperiais na Terra do Café”, Tabacchi, um italiano de Trento, já residia na província desde a década de 1850. Ao perceber o interesse do Brasil por mão de obra europeia, ofereceu terras aos imigrantes em troca do direito de explorar madeira. Após negociações, o contrato com Tabacchi foi autorizado pelo Ministério da Agricultura, e os imigrantes foram recrutados no Trentino, partindo de Gênova em janeiro de 1874 a bordo do “La Sofia”.
No entanto, os colonos logo descobriram que as promessas de Tabacchi eram falsas. As terras não estavam prontas, e as condições nos alojamentos eram precárias. Essa expedição marcou o início de um movimento migratório em larga escala. A Itália, recém-unificada e com altas taxas de desemprego, viu muitos de seus cidadãos emigrarem em busca de uma vida melhor. As partidas de navios transatlânticos de Gênova e outros portos europeus se tornaram frequentes a partir de 1875.
A celebração do “Dia Nacional do Imigrante Italiano” não apenas honra a coragem e a determinação dos primeiros imigrantes italianos, mas também destaca a significativa contribuição que essa comunidade fez e continua fazendo para a história e a cultura do Brasil.







