Ao se despedir da Globo durante a Copa do Qatar, Galvão Bueno lamentou que seu último jogo narrando a seleção brasileira terminasse em derrota. Talvez nem ele soubesse ainda, mas aquela não seria sua última performance como locutor de uma partida com o time canarinho.
A Play9, empresa de Felipe Neto e João Pedro Paes Leme, com a qual já tinha contrato assinado àquela altura, adquiriu os direitos de transmissão de partidas da seleção brasileira pelo novo canal do narrador no YouTube.
Feito isso, era quase impossível resistir à tentação de reeditar as parcerias de grande sucesso do narrador mais famoso do país ao longo de sua história de êxito na TV, e lá estarão, na estreia do novo canal de Galvão no YouTube, não só o Brasil em campo, mas também Arnaldo Cézar Coelho, Walter Casagrande Jr. e Tino Marcos.
Os três deixaram a Globo antes dele: Arnaldo saiu logo após a Copa da Rússia, em 2018, e se aposentou. Tino deixou o canal em 2021, e Casagrande, há menos de um ano.
O grande reencontro está marcado para 25 de março, quando o Brasil enfrenta o Marrocos em amistoso. A ideia é que durante os intervalos, Felipe Neto faça breves intervenções em sua casa, cercado de amigos conhecidos do grande público, unindo as plateias de internet e TV, nem sempre convergentes.
A Cazé TV, pilotada pelo jornalista Casimiro Miguel, que pela primeira vez colocou jogos da seleção brasileira no YouTube em uma Copa do Mundo, provou, no último mundial, o potencial do portal de vídeos do Google para arrastar uma multidão considerável para a frente da TV. As partidas da seleção rapidamente juntaram 3 milhões de inscritos no novo canal, dobrando de tamanho antes do fim do mundial e chegando hoje a 7,8 milhões.
A bola no Qatar rendeu ao youtuber os três maiores recordes mundiais da plataforma, sendo o maior deles com 5,3 milhões de aparelhos simultâneos no pico de audiência do jogo em que o Brasil goleou a Coreia e se classificou para as oitavas de final. Contra a Suécia, foram 4,7 milhões, e diante de Camarões, 4,5 milhões.
Ainda presente na Globo pelo menos pelos próximos dois anos, prazo do contrato que assinou no final de 2022, Galvão não estará mais nas narrações da casa, com a liberdade de exercer essa atividade à vontade nos meios digitais. As tarefas agendadas com a Globo se resumem a breves e felizes expedientes, como a presença nas transmissões da abertura das Olimpíadas de Paris, cuja contagem regressiva de 100 dias já foi iniciada pela emissora na terça-feira, 14, por meio do Mais Você e do Globo Esporte.
Até o final do ano, o narrador também ganhará um programa especial na emissora, com temática escolhida por ele. E em breve, terá uma série documental para chamar de sua no GloboPlay, enaltecendo sua trajetória, com depoimentos de ex-parceiros de trabalho, atletas, ex-atletas e amigos, reunindo mais de quatro décadas de expediente. A produção já está toda gravada.







