Um recomeço auspicioso para a Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais

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O ano de 2023 chega, literalmente, com sabor de “recomeço” para a Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais. Na lista dos contemplados pelo edital Usina das Artes 2022, o grupo irá ocupar um espaço na Casa D (rua Santa Terezinha, 711, bairro Farroupilha), após retornar de uma turnê com o espetáculo Deus e o Diabo na Terra de Miséria, que passará por seis cidades, incluindo capitais das regiões Sul e Sudeste. Além disso, o coletivo teatral já conta com mais de 20 apresentações agendadas para o primeiro semestre: seis delas acontecem no bairro Humaitá em Porto Alegre, entre os meses de abril e maio, e serão financiadas pelo edital de Eventos Descentralizados do Fundo de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre (Fumproarte), da Secretaria Municipal de Cultura.

A circulação de Deus e o Diabo na Terra de Miséria também foi contemplada com apoio financeiro – neste caso, recursos do Pró-Cultura RS/Fundo de Apoio à Cultura (FAC), do Governo do Estado. Espetáculo que  oficializou o início das atividades grupo, a montagem completou 23 anos em 2022. “É um dos espetáculos de rua mais antigos (na ativa) da Capital”, destaca o ator, produtor e diretor Hamilton Leite, um dos fundadores da Oigalê. A peça – que será executada dentro do projeto VII Corredor Cultural de Teatro de Rua do grupo, partir das 11h deste domingo (8) em Porto Alegre (no Brique da Redenção), seguindo para ruas e praças de Canoas (RS), Florianópolis (SC), Curitiba (PR), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) – é uma livre adaptação de Leite do Capítulo XXI do livro Dom Segundo Sombra, de Ricardo Güiraldes.

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Na versão da Oigalê, a farsa gaudéria aborda o universo de Miséria, um gaúcho dono de uma ferraria que, certo dia, recebe a visita de Nosso Senhor e São Pedro. Agraciado com três pedidos, ele os usa para enganar os diabólicos ajudantes Liliti e Sanganel e o diabo-chefe Lúcifer. No entanto, por ter “passado a perna” em Deus e no Diabo, acaba não conseguindo entrar no céu, nem no inferno, e passa a vagar mundo afora. “Ou seja, o responsável pela miséria é o próprio ser humano”, destaca Leite, ao fazer uma analogia da estória com a realidade. 

Apresentada mais de 500 vezes no decorrer das últimas duas décadas, a peça – que se consagrou junto ao público de todas as idades – marca agora o recomeço “oficial” dos trabalhos da Oigalê, após o período de isolamento por conta da pandemia de Covid-19. Completando 24 anos de atividades em setembro de 2023, o coletivo teatral conta ainda com outros dez espetáculos na trajetória, além de ter gravado um CD com a trilha sonora de três das montagens sobre lendas e contos rio-grandenses. No decorrer do período, o grupo criou o projeto Corredor Cultural com o intuito de “fazer arte pública, presencial e de convívio”, e realizou a maioria das edições com recursos da Funarte ou do Sesc de São Paulo. “A primeira aconteceu em 2000, quando passamos por Florianópolis, Curitiba e São Paulo. Em outras edições, contemplamos todo o Rio Grande do Sul, incluindo o Litoral gaúcho”, recorda Leite.

Crucial para a formação do coletivo, que optou por trabalhar com teatro de rua, por considerar “fundamental que a arte ocupe os espaços públicos e, assim, seja acessível a todas as pessoas”, Deus e o Diabo na Terra de Miséria estreou em 20 de setembro de 1999, e fez apresentações em 25 estados e Distrito Federal, além de Argentina, Uruguai e Portugal. Além deste espetáculo, o grupo segue com apresentações de outros dois do repertório: A Máquina do Tempo (infantil) e Circo de Horrores e Maravilhas. Este último, foi assistido por mais de 40 mil pessoas, em um total de 108 apresentações; e em 2014 recebeu o Prêmio Braskem de Melhor Espetáculo pelo Júri Popular, durante o festival Porto Alegre em Cena. 

Preparando as comemorações do aniversário de 25 anos do grupo – que acontece em 2024 -, a Oigalê planeja seguir com os três espetáculos de repertório e criar outros dois: “Um é a Salamanca do Jarau, do Simões Lopes Neto”, adianta Leite. Ele explica que a peça deve dar continuidade à linha de trabalho do grupo, que se utiliza do nativismo (“e não do tradicionalismo”) para contar histórias populares do Sul.

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