Em meio a um cenário de relatos frequentes de crueldade e negligência contra animais — como o recente e chocante episódio envolvendo o cachorro Orelha —, a adoção de Vô Davi, um cão de 22 anos, surge como um sopro de esperança e compaixão.
O animal, que vivia em um abrigo catarinense, foi acolhido recentemente e agora desfruta seus últimos anos cercado de zelo, dignidade e afeto. A história rapidamente comoveu protetores e ativistas da causa animal, ao mostrar que o carinho não tem idade — e muito menos data de validade.
Adoção de animais idosos ainda é incomum
Segundo a secretária municipal de Bem-Estar Animal, Bruna Molz, ações como essa continuam sendo exceção. Ela destaca que cães na terceira idade estão entre os menos procurados nos processos de adoção. “A maioria prefere filhotes, enquanto os animais mais velhos ficam longos períodos nos abrigos, mesmo sendo tranquilos e carentes de carinho”, afirmou.
Bruna atuou como intermediária entre Vô Davi e seu novo tutor, o gestor de tráfego pago Vitor, que conheceu o cachorro por meio de uma publicação da Secretaria e se prontificou a adotá-lo. O jovem, que já tem dois pets chamados Scooby e Jade, mora em outra cidade, mas mesmo assim se empenhou em buscar o vovô. Em suas redes sociais, Vitor registrou os primeiros momentos de Davi em seu novo lar.
Desafios na adoção de pets mais velhos
Dados de entidades de proteção animal indicam que cães idosos representam uma parte significativa dos animais que nunca são adotados, justamente por exigirem mais cuidados com a saúde e por sofrerem o preconceito ligado à idade avançada. Muitos passam a vida inteira em abrigos, ignorados por quem busca um novo companheiro.
Por isso, a adoção de Vô Davi vai além de um simples gesto pessoal: simboliza um ato de empatia coletiva. Em contraste com notícias que causam impacto e tristeza, a trajetória do cachorro de 22 anos aquece o coração com alegria e reforça que pequenas ações ainda têm o poder de transformar realidades — tanto humanas quanto animais.
Vô Davi hoje vive cercado de atenção, conforto e carinho, provando que todo ser merece encerrar sua jornada com amor. Em tempos tão áridos, gestos como esse lembram que a solidariedade ainda resiste.







