Dança, ancestralidade e infância: Atividade do Circuito Avessinho une cultura afro-brasileira, brincadeira e educação em encontro artístico no Centro da capital
Tem criança que corre, pula, dança… e tem criança que faz tudo isso junto e ainda aprende sobre história sem nem perceber. Parece mágica, mas é arte bem feita. No próximo dia 29 de março, o Es00paço Cultural Má Companhia, no Centro de Vitória, recebe a oficina “Movimentos da Infância e Ancestralidade”, uma vivência gratuita de dança afro voltada para jovens de 10 a 18 anos. A atividade será conduzida pela artista e educadora Gracielle Monteiro e integra a programação do Circuito Avessinho, projeto cultural voltado às infâncias. E aqui vai um aviso importante: não precisa saber dançar. Aliás, às vezes quem acha que não sabe é justamente quem mais se surpreende.
A proposta da oficina vai além da técnica. A ideia é transformar o corpo em ferramenta de descoberta, memória e expressão. Por meio de jogos corporais, improvisações e dinâmicas coletivas, os participantes são convidados a explorar movimentos inspirados nas danças de matriz africana. Durante a atividade, a presença de percussão ao vivo e do atabaque cria uma atmosfera que aproxima ritmo, corpo e coletividade. Não é só dança. É experiência.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, manifestações culturais afro-brasileiras são fundamentais para a formação da identidade nacional, especialmente quando transmitidas de forma viva e participativa. Em outras palavras: aprender com o corpo também é aprender história.
A oficina também dialoga com temas contemporâneos importantes, como autoestima, diversidade cultural e pertencimento. Ao trabalhar referências da ancestralidade afro-brasileira de forma lúdica, a atividade contribui para que crianças e adolescentes reconheçam suas origens e ampliem sua percepção de mundo. Gracielle Monteiro, que conduz a vivência, desenvolve pesquisas que atravessam corpo, memória, maternidade e ancestralidade. Sua trajetória inclui trabalhos em dança, performance e audiovisual, sempre com foco no corpo como território político e poético. Com experiência em projetos educativos, ela defende a arte como ferramenta de transformação social. E não é só discurso bonito. Estudos da UNESCO apontam que o acesso à cultura na infância fortalece habilidades socioemocionais e contribui para o desenvolvimento cognitivo.

A oficina faz parte do Circuito Avessinho, iniciativa ligada ao Cineclube Avesso que vem promovendo ações culturais voltadas ao público infantil e juvenil. Desde o final de 2025, o projeto já realizou oficinas de congo, atividades artesanais, exibições de cinema e apresentações musicais. Entre os destaques da programação estão o Cine Pipoquinha, com exibição de curtas-metragens, e eventos que combinam literatura, teatro e música. Uma mistura que prova que cultura para criança não precisa ser simplificada. Precisa ser respeitada. O projeto é realizado com apoio da Secretaria da Cultura do Espírito Santo, com recursos do Funcultura e da Política Nacional Aldir Blanc.
Em tempos de telas e rolagens infinitas, uma oficina que convida jovens a ocupar o próprio corpo pode parecer quase revolucionária. Sem filtro, sem edição, sem botão de voltar. É só presença e talvez seja exatamente isso que torna a experiência tão potente, porque, aprender a dançar também pode ser aprender a se reconhecer. E quem sabe, no meio de um passo improvisado, alguém descubra algo maior que a coreografia. Descubra a si mesmo.
Serviço
Evento: Oficina “Movimentos da Infância e Ancestralidade”
Local: Espaço Cultural Má Companhia
Data: 29 de março de 2026, as 15h
Vagas: 25
Entrada: gratuita
Inscrições: via Instagram do projeto Circuito Avessinho (@avessinhos)
Realização: Circuito Avessinho / Cineclube Avesso
Apoio: Secretaria da Cultura do Espírito Santo, Funcultura e Política Nacional Aldir Blanc







