Em um documento recentemente aprovado pelo papa Leão XIV, uma importante comissão do Vaticano orientou os mais de 1,4 bilhão de fiéis católicos sobre os riscos da cirurgia plástica. O argumento é que essas práticas podem incentivar uma idolatria do corpo e uma busca ilusória pela aparência perfeita.

“Os avanços na cirurgia plástica oferecem instrumentos que alteram profundamente a relação do indivíduo com o próprio corpo”, destaca o texto.
“Isso resulta em uma adoração generalizada ao físico, que frequentemente se traduz numa corrida obsessiva por um corpo perfeito, eternamente em forma, jovem e atraente.”
O material divulgado pela Santa Sé nesta quarta-feira (4) também ressalta que o amor de Jesus permanece inalterado com o passar dos anos, independentemente do surgimento de marcas de expressão no rosto.
A doutrina católica ensina que a forma humana foi criada à imagem e semelhança de Deus. Embora a Igreja não proíba explicitamente as cirurgias plásticas, ela defende que os fiéis evitem se submeter a tais procedimentos movidos apenas por motivações fúteis.
Alerta de uma comissão doutrinária
A orientação mais recente foi emitida por meio de uma carta da Comissão Teológica Internacional do Vaticano, órgão responsável por assessorar o papa em temas doutrinários complexos.
O alerta sobre a cirurgia plástica faz parte de uma análise mais ampla sobre técnicas que usam a tecnologia para promover o progresso da humanidade.
A comissão também manifestou preocupação com um futuro no qual a inteligência artificial “poderia escapar ao controle da racionalidade humana” e onde as pessoas poderiam optar por implantes mecânicos para se assemelhar a “ciborgues”.
Riscos de seguir modismos
O documento adverte que a cirurgia estética pode levar a uma postura de modificar o próprio corpo “de acordo com tendências passageiras”.
“Surge então um paradoxo: o corpo idealizado é glorificado, enquanto o corpo real não é genuinamente aceito, por ser visto como fonte de limitações, cansaço e marcas do tempo”, complementa o texto.







