Preço do petróleo ultrapassa US$ 100 com conflito no Oriente Médio

Os preços do petróleo subiram mais de 15% no início da noite de domingo (8), superando a marca de US$ 100. O movimento ocorreu diante da intensificação dos conflitos no Oriente Médio e da crescente pressão sobre o transporte e a infraestrutura do setor. Por volta das 19h55, o barril do Brent avançava 17,2%, sendo negociado a US$ 108,25, enquanto o WTI dava um salto de 18,5%, alcançando US$ 107,79.

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Em contrapartida, os contratos futuros dos principais índices de Nova York registravam quedas expressivas: o futuro do Dow Jones recuava 1,80%; o do S&P 500 perdia 1,55%; e o do Nasdaq caía 1,44%. O índice DXY, que mede a força do dólar, valorizava-se 0,6%. Já o indicador de volatilidade VIX disparava 24,1%.

Dessa forma, os mercados petrolíferos iniciaram a semana sob a expectativa de uma nova fase de instabilidade. O conflito envolvendo o Irã entrava em seu nono dia, em um cenário marcado pela redução da produção dos grandes exportadores, capacidade de armazenamento próxima do limite e um fluxo de navios praticamente interrompido no Estreito de Ormuz.

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“A situação já vai além de um simples bloqueio direto do Estreito de Ormuz, configurando uma interrupção no abastecimento que começa a se espalhar por toda a região”, comentou Dave Mazza, diretor-executivo da Roundhill Financial, segundo a Bloomberg. “Um movimento dessa natureza pode levar investidores, que já estão apreensivos, a reduzir ainda mais sua exposição ao risco.”

Na semana anterior, uma intensa onda de vendas afetou diversas regiões e classes de ativos. A escalada das tensões geopolíticas aumentou a pressão sobre mercados que já demonstravam fragilidade, impactados por disrupções ligadas à inteligência artificial e por receios de possíveis vulnerabilidades no crédito.

A piora da crise apresentou um dilema aos investidores. De um lado, há o risco de uma nova pressão inflacionária decorrente da alta do petróleo; de outro, surgem sinais de desaceleração no mercado de trabalho norte-americano, o que poderia reforçar a perspectiva de um afrouxamento na política monetária.

Nas primeiras horas de domingo, o Irã intensificou suas ofensivas contra países vizinhos no Oriente Médio. Simultaneamente, Israel atingiu depósitos de combustível em Teerã e ameaçou a rede elétrica da República Islâmica.

O presidente Donald Trump advertiu que os Estados Unidos poderiam considerar ataques a áreas que ainda não haviam sido alvos. Os ataques continuariam “até que eles se rendam ou, o que é mais provável, entrem em colapso total!”, declarou ele em uma publicação em redes sociais.

Produção Reduzida

O Kuwait, quinto maior produtor da Opep, comunicou no sábado que implementou cortes preventivos em sua produção de petróleo e também na capacidade de refino. A medida foi justificada pelas “ameaças iranianas à navegação segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz”. A Kuwait Petroleum Corporation, empresa estatal do país, não forneceu detalhes sobre a magnitude dessas reduções.

No Iraque, segundo maior produtor do cartel, a produção entrou em acentuada deterioração. Segundo três fontes do setor consultadas pela Reuters no domingo, a extração nos três principais campos petrolíferos do sul do país recuou 70%, para 1,3 milhão de barris por dia. Antes do conflito com o Irã, essas áreas produziam 4,3 milhões de barris diários.

Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos, terceiro maior produtor da Opep, afirmaram no sábado que vêm “administrando com cautela os níveis de produção offshore para atender às demandas de armazenamento”. A ADNOC, companhia nacional de petróleo de Abu Dhabi, informou que suas operações em terra seguem sem alterações.

Os países árabes do Golfo estão reduzindo a produção devido à falta de capacidade para estocar o petróleo, uma vez que os barris se acumulam sem escoamento diante do fechamento do Estreito de Ormuz. Temendo ataques iranianos, navios petroleiros evitam cruzar essa estreita rota marítima. Cerca de 20% do consumo global de petróleo passa por essa via.

Sem Indícios de Trégua

No começo desta semana, o conflito prossegue sem mostrar sinais claros de arrefecimento, mesmo após o presidente Donald Trump ter declarado que a guerra já estava “vencida”. Segundo relatos, o Irã nomeou Mojtaba, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do país. Khamenei foi morto por Estados Unidos e Israel nos primeiros dias das hostilidades.

No domingo, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a circulação no Estreito de Ormuz deverá ser restabelecida assim que os americanos eliminarem a capacidade do Irã de ameaçar navios petroleiros.

“Não deve levar muito tempo para vermos uma retomada mais consistente do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz”, disse Wright à CNN em uma entrevista. “Ainda estamos longe da normalidade. Isso exigirá algum tempo. Porém, no pior dos cenários, estamos falando de algumas semanas, e não de meses.”

(Com informações da Bloomberg e da CNBC)

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