O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira que considera uma honra “tomar Cuba” e que se sente livre para agir como quiser em relação à ilha. A afirmação foi feita a repórteres no Salão Oval da Casa Branca.
Durante a conversa, Trump mencionou que ouviu questionamentos sobre os Estados Unidos e Cuba a vida toda. Ele expressou sua convicção pessoal de que será honrado ao tomar o território cubano.
Questionado por um jornalista sobre o que significaria “tomar”, o mandatário republicano confirmou a intenção, sugerindo que se trataria de libertar ou assumir o controle. Ele acrescentou que acredita ter autonomia total para fazer o que julgar adequado com a nação.
Trump também chamou Cuba de “nação falida”, argumentando que ela carece de recursos financeiros, petróleo e outros bens. Reconheceu, porém, que o país tem terras férteis, uma paisagem atraente e é uma ilha bonita, elogiando ainda seu povo e citando cubanos que enriqueceram após emigrarem para os Estados Unidos.
No entanto, Washington atualmente é o maior obstáculo para a importação de petróleo por Cuba. Submetida a um bloqueio norte-americano que impede o recebimento desse produto, a ilha dependia do fornecimento da Venezuela sob Nicolás Maduro. Esse fluxo foi interrompido em janeiro pela administração Trump, que não reconheceu o embargo.
Cuba vive apagão
Nesta segunda-feira, as consequências desses três meses sem petróleo venezuelano ficaram evidentes outra vez. A empresa estatal responsável pelo sistema elétrico nacional informou sobre um colapso na rede e um apagão generalizado que atinge toda a ilha e seus aproximadamente 10 milhões de habitantes.
Em uma publicação nas redes sociais, a empresa disse que não identificou falhas em nenhuma das usinas termelétricas em operação no momento da desconexão total do sistema. Ainda não há dados sobre as causas do problema ou uma previsão para a normalização do serviço.
A ilha já enfrentava intermitências no fornecimento de energia há anos, uma situação que se intensificou desde o ano passado.
No último sábado, um grupo de manifestantes contrários ao regime atacou uma sede do Partido Comunista no centro de Cuba, segundo um jornal estatal. O incidente representa uma rara manifestação pública de dissidência, motivada pelos cortes de energia.
Dados de rastreamento de navios da LSEG, consultados pela agência Reuters nesta segunda, indicam que Cuba recebeu apenas dois pequenos navios com importações de petróleo neste ano.
O primeiro navio-tanque, do México – um fornecedor habitual até então –, descarregou combustível no porto de Havana em janeiro. A segunda embarcação, da Jamaica, entregou gás liquefeito de petróleo em fevereiro.
A estatal venezuelana PDVSA carregou gasolina no mês passado em um navio-tanque que antes transportava combustível para Cuba. No entanto, conforme documentos da empresa e dados de monitoramento marítimo, a embarcação não saiu das águas territoriais da Venezuela.
O regime cubano manteve diálogos com a Casa Branca, como admitiu o líder Miguel Díaz-Canel em um anúncio televisionado na última sexta-feira.
Esse contato não é novidade. Apesar da relação antagônica, os dois países já passaram por outros períodos de negociação desde que a Revolução Cubana depôs o ditador Fulgencio Batista, aliado dos EUA, em 1959. Desde então, pelo menos treze presidentes norte-americanos tentaram, sem sucesso, mudar o status quo da ilha, mesclando pressões estratégicas e considerações de política interna.
Nunca, porém, as circunstâncias pareceram tão favoráveis a Washington, que coloca a ilha como o próximo alvo de movimentos agressivos na diplomacia do segundo mandato de Trump – reflexo de sua “Doutrina Donroe” para intervenções no Hemisfério Ocidental.






