O Departamento de Defesa dos Estados Unidos estuda deslocar até dez mil militares adicionais para o Oriente Médio, segundo reportagem do Wall Street Journal publicada nesta quinta-feira. A informação é baseada em fontes do Pentágono familiarizadas com os planos. A medida visa ampliar as opções militares disponíveis para o presidente Donald Trump, enquanto ele conduz negociações de paz com o Irã.
Mais cedo, Trump declarou ter prorrogado a suspensão de ataques contra infraestruturas energéticas iranianas por mais dez dias. O prazo inicial, que terminaria na sexta-feira (27), foi estendido até 6 de abril.
Em uma publicação no Truth Social, o presidente afirmou: “A pedido do governo iraniano, comunico que estou suspendendo o período de destruição de usinas de energia por 10 dias, até segunda-feira, 6 de abril de 2026, às 20h, horário do leste dos EUA. As negociações prosseguem e, apesar de informações incorretas divulgadas pela mídia de notícias falsas e outros, estão avançando muito bem”.
Apesar da declaração de Trump sobre um pedido iraniano, o Wall Street Journal informou que mediadores envolvidos nas conversas afirmaram que o país não solicitou a prorrogação.
Contexto do conflito no Oriente Médio
Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. As hostilidades começaram em 28 de fevereiro, após um ataque coordenado das duas nações que matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã.
Várias outras figuras de alto escalão do regime também foram eliminadas. Os Estados Unidos afirmam ainda ter destruído dezenas de embarcações iranianas, além de sistemas de defesa antiaérea, aeronaves e outros alvos militares.
Em resposta, o regime dos aiatolás atacou diversos países da região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Autoridades iranianas alegam ter como alvo apenas interesses norte-americanos e israelenses nesses territórios.
De acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos EUA, mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra. A Casa Branca, por outro lado, contabiliza pelo menos 13 mortes de soldados americanos diretamente ligadas aos ataques iranianos.
O conflito também se espalhou para o Líbano. O Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, atacou território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Em consequência, Israel tem conduzido ofensivas aéreas contra o que identifica como alvos do Hezbollah no país vizinho, resultando em centenas de mortes em solo libanês.
Com a eliminação de grande parte de sua cúpula, um conselho no Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Analistas indicam que ele não promoverá mudanças estruturais, representando a continuidade das políticas repressivas.
Donald Trump manifestou insatisfação com a escolha, descrevendo-a como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria participar do processo e ressaltou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.







