Irã sinaliza que pode levar guerra ao limite após míssil atingir Turquia

O míssil interceptado pela Turquia, com origem no Irã, sugere que Teerã pode estar disposto a levar o conflito às últimas consequências. A mensagem aos adversários é clara: a situação pode sair do controle, causando perdas para toda a região, para os Estados Unidos e para Israel.

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Essa análise é feita por Danny Zahreddine, professor de relações internacionais da PUC Minas. Como membro da Otan, a entrada da Turquia no conflito poderia arrastar outras nações para o confronto.

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Zahreddine, que também é oficial da reserva da artilharia do Exército brasileiro, explica que o Irã adotou a tática do “brinkmanship”, que consiste em levar uma situação ao seu limite extremo.

“É como dançar à beira do abismo. A ideia é mostrar aos oponentes que, em algum momento, a guerra pode ficar incontrolável. E, quando isso acontece, todos saem perdendo, inclusive quem começou”, avalia Danny, professor brasileiro de origem libanesa e especialista em conflitos no Oriente Médio.

Para ele, ao atacar instalações americanas em doze países do Golfo e lançar um míssil contra a Turquia – nação que até então apoiava os esforços de Teerã para conter a guerra –, o governo iraniano demonstra sua disposição de “pular no precipício”.

“Isso revela a magnitude do custo que o Irã está pronto para pagar. Quando você convence seu adversário de que está disposto a ir até o fim, o preço da ação contra você sobe drasticamente”, completou.

Posição da Turquia

Em comunicado oficial, o Ministério da Defesa turco informou que um míssil vindo do Irã foi abatido após cruzar os espaços aéreos do Iraque e da Síria. A interceptação foi feita por defesas antiaéreas da Otan, sem registros de vítimas ou feridos.

“Reiteramos que nos reservamos o direito de responder a qualquer ato hostil contra nosso território. Pedimos a todas as partes que evitem ações que possam agravar ainda mais o conflito na região”, diz o comunicado de Ancara.

“Nesse contexto”, complementa o documento, “continuaremos a consultar a Otan e nossos demais aliados”.

O Irã ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido. A Turquia, vizinha ocidental do Irã, está entre os países que condenaram a agressão militar de Israel e dos Estados Unidos contra Teerã.

O presidente turco, Tayyip Erdogan, classificou o ato como uma violação do direito internacional e “uma clara transgressão da soberania iraniana, que também atenta contra a paz e o bem-estar do povo amigo e irmão do Irã”.

Questão Curda e Tensões Regionais

A mídia norte-americana tem divulgado, com base em fontes não identificadas, que a CIA estaria tentando equipar facções separatistas curdas no Irã para combater o governo de Teerã.

Distribuídos por nações como Turquia, Irã, Iraque e Síria, os curdos formam uma etnia distinta que, em alguns contextos, luta pela criação de um estado nacional, o Curdistão.

O governo de Ancara se opõe à autodeterminação curda, uma vez que o futuro Estado ocuparia parte do atual território turco. No Irã, há grupos curdos considerados separatistas e terroristas pelas autoridades locais.

O analista militar e de geopolítica Robinson Farinazzo, oficial da reserva da Marinha do Brasil, adverte que a suposta estratégia de armar os curdos iranianos pode desagradar Erdogan, aliado dos EUA na Otan.

“Um Curdistão independente não é algo desejado pelos turcos. Isso cria uma grande incógnita. Se começarem a apoiar os curdos contra o Irã, será que a Turquia vai aceitar? A grande dúvida é como a Turquia vai se comportar, pois agora seus próprios interesses estão em risco”, disse.

Estratégia Alternativa de Washington e Tel Aviv

O professor Danny Zahreddine argumenta que o “plano B” de Washington e Tel Aviv para derrubar o regime de Teerã é justamente o apoio aos grupos separatistas curdos. No entanto, ele destaca a falta de unidade dentro da comunidade curda iraniana.

“Existe uma parcela disposta a se opor ao governo e outra que não está. Esse é um projeto muito arriscado para os curdos. A história já mostrou que sempre que os curdos são armados para se rebelar a favor dos EUA, em determinado momento eles são abandonados”, afirmou.

O especialista lembrou que o Irã atacou, recentemente, posições de grupos curdos no norte do Iraque e dentro de seu próprio território, “na tentativa de dissuadi-los de qualquer ideia de se envolver nesse tipo de ação”.

Para Zahreddine, atualmente não há outros grupos de oposição com capacidade ou condições de confrontar Teerã, como desejariam Israel e EUA, devido aos altos custos que esses grupos enfrentariam durante uma guerra de agressão estrangeira contra o Irã.

“Mesmo que houvesse uma oposição doméstica ao governo, eles estão vivendo 40 dias de luto pela morte de Khamenei e existe um aparato de segurança que permanece completamente leal ao regime”, completou.

O Tempo como Aliado do Irã

Apesar de o poderio militar ser numericamente favorável aos EUA e a Israel, que dispõem de mais recursos, o tempo estaria do lado de Teerã, na avaliação do oficial da reserva da Marinha brasileira, Robinson Farinazzo.

“Se o Irã resistir e essa guerra se prolongar indefinidamente, isso se tornará o maior problema da história deles, desde a guerra do Vietnã. Aí vira um Vietnã de fato. Haverá muito questionamento dentro da sociedade americana”, comentou.

Zahreddine avalia como “surpreendente” a capacidade de resistência demonstrada pelo Irã, o que indicaria um bom preparo após a guerra de 12 dias, em junho de 2025.

“Atualmente, eles produzem cerca de 150 drones por dia. Imagine os milhares de drones fabricados nesses nove meses. Há também a produção de mísseis balísticos. Eles têm um arsenal para uma guerra prolongada. Agora, a questão é por quanto tempo resistirão aos intensos ataques dos EUA e de Israel”, avaliou.

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