Entenda os desdobramentos da guerra no Oriente Médio

Em meio à crescente tensão entre Estados Unidos, Irã e Israel, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que a nova cúpula iraniana demonstra interesse em estabelecer um diálogo. No entanto, os três países continuam trocando ameaças, o que deixa o desfecho das conversas incerto.

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No último sábado, 28, os governos dos Estados Unidos e de Israel realizaram um ataque conjunto contra o Irã. A ação militar resultou na morte do líder supremo, Ali Khamenei, e do ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Nos meses anteriores, a administração americana pressionava Teerã para impor limites ao seu programa nuclear, uma exigência que foi recusada. Trump argumenta que a ofensiva faz parte de uma campanha para neutralizar capacidades estratégicas iranianas, como mísseis e infraestrutura militar — incluindo armas nucleares — e para fortalecer a segurança dos aliados dos EUA na região.

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O que pode acontecer a partir de agora?

Escolha de um novo líder supremo

Alireza Arafi foi designado no domingo, 1º, como líder supremo interino do Irã. A nomeação foi divulgada um dia após a morte de Khamenei durante o ataque coordenado por norte-americanos e israelenses.

Integrante do clero do Conselho dos Guardiães, Arafi permanecerá no cargo até que um novo líder supremo seja escolhido. Ele comporá o Conselho de Liderança provisório junto ao presidente Masoud Pezeshkian e ao juiz-chefe Gholamhossein Mohseni Ejei.

Na prática, o líder supremo detém a autoridade final sobre todos os poderes do Estado, as forças armadas e o sistema judiciário. Isso significa que ele pode promulgar leis e tomar as decisões governamentais definitivas em setores como economia e relações exteriores. O aiatolá também acumula a função de guia religioso.

O sistema de governo teocrático iraniano, aliado a uma democracia restrita, assegura que ninguém conteste as determinações do líder supremo. Khamenei ocupava a posição desde 1989 e era, até seu falecimento, o chefe de Estado com o mandato mais longo do Oriente Médio.

Retaliação pela morte de Khamenei

Após a confirmação da morte de Ali Khamenei, autoridades iranianas prometeram uma retaliação ainda mais severa, com ofensivas contra bases dos Estados Unidos no Oriente Médio e contra Israel.

A mesma posição foi assumida pela Guarda Revolucionária do Irã, que jurou vingança e garantiu a perpetuação da Revolução Islâmica. “Em breve terão início as maiores operações militares da história das Forças Armadas iranianas contra Israel e contra bases dos EUA na região”, declarou a força de elite.

A afirmação provocou a reação do presidente americano, Donald Trump, que ameaçou usar uma força “jamais vista” caso Teerã intensifique os ataques. Por sua vez, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, conclamou os iranianos a protestarem nas ruas para “derrubar o regime” dos aiatolás.

Trump promete vingar morte de soldados, e Israel diz que intensificará ações

Após a confirmação da morte de três militares americanos no conflito, o presidente dos Estados Unidos renovou suas ameaças ao Irã, prometendo retaliar as perdas.

“Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [o conflito] termine”, afirmou em um vídeo sobre os soldados mortos. “Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais arrasador contra os terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização.”

O republicano também ameaçou de morte os membros da Guarda Revolucionária do Irã caso não deponham as armas. “Mais uma vez, exorto os Guardiões da Revolução, o Exército iraniano e a polícia a deporem suas armas e receberem imunidade total, ou enfrentarão a morte certa”.

Segundo Trump, os bombardeios no país persa continuarão até que todos os objetivos sejam alcançados, embora ele não tenha especificado quais seriam essas metas.

Israel também promete intensificar conflito

Netanyahu afirmou que a ofensiva militar contra o Irã será ampliada. “Nossas forças estão avançando no coração de Teerã com intensidade crescente, e isso se intensificará ainda mais nos próximos dias”, declarou.

Em seu pronunciamento, o premiê reconheceu o impacto humano do conflito sobre a população israelense e citou ataques contra duas cidades do país, Tel Aviv e Beit Shemesh. Ele definiu o momento como “dias dolorosos”, apresentou condolências às famílias das vítimas e desejou rápida recuperação aos feridos.

A Guarda Revolucionária do Irã reagiu às declarações e anunciou o início de ataques contra o território israelense, além de pelo menos 27 bases americanas no Oriente Médio.

Trump conversa com nova liderança do Irã

Em meio à escalada de ameaças, Trump afirmou, em entrevista publicada pela revista Atlantic neste domingo, que a nova liderança do Irã “quer conversar” e que ele concordou.

“Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então vou conversar com eles. Eles deveriam ter feito isso antes. Deveriam ter feito o que era muito prático e fácil de fazer antes. Esperaram demais”, disse.

O americano não detalhou quando deve ocorrer a conversa com representantes iranianos. Ao ser questionado se o contato aconteceria hoje ou amanhã, respondeu: “Não posso dizer”.

Segundo a Atlantic, Trump afirmou que parte dos negociadores iranianos envolvidos nas tratativas recentes morreu nos ataques.

Escalada regional

O Irã é considerado um país estratégico no Oriente Médio, tanto por sua posição geopolítica, às margens do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico — uma das principais rotas globais de transporte de energia — quanto por suas vastas reservas de petróleo e gás.

A reação do Irã aos ataques de Israel e às instalações militares americanas em nações vizinhas pode agravar ainda mais a instabilidade na região.

Como exemplo, em resposta ao ataque americano e israelense, o Irã lançou mísseis contra Israel e depois atacou instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar.

A escalada do conflito também é vista com apreensão pela comunidade internacional. O Brasil já se manifestou, condenando o ataque ao Irã. Os 27 países da União Europeia pediram “máxima contenção” e pleno respeito ao direito internacional no conflito, declarou a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas.

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