O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, pode impactar o preço dos medicamentos no Brasil.
Segundo o ministro, a situação é preocupante e pode levar a aumentos, principalmente por afetar a cadeia global de fornecimento e transporte de insumos farmacêuticos.
Ele fez essas declarações durante visita a um laboratório em Valinhos, no interior de São Paulo, acompanhado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Padilha explicou que o ministério monitora conflitos internacionais devido ao risco de desabastecimento.
“Acompanhamos sempre qualquer guerra. Por isso nos empenhamos para fabricar todas as etapas da produção nacionalmente, ficando assim totalmente protegidos de conflitos ou variações cambiais”, disse.
O ministro destacou que, embora muitos remédios sejam produzidos localmente, parte das substâncias ativas ainda é importada.
“Muitos produtos fabricados aqui no Brasil usam princípios ativos que vêm, por exemplo, da Índia, e seu transporte pode ser afetado. Parte da rota de distribuição passa por aeroportos do Oriente Médio. Pode ser preciso mudar trajetos, o que influencia nos custos”, explicou.
Para Padilha, as guerras prejudicam a saúde de forma direta e indireta. “Qualquer conflito é muito nocivo: causa mortes, desvia recursos da saúde para a defesa e a compra de armas, além de atrapalhar o fluxo de mercadorias”, afirmou. Ele acrescentou que o embate atual “pode ser prejudicial para a saúde global, não só do Brasil, mas de todos os países”.
Lula critica gastos com armas
Na mesma visita, o presidente Lula também comentou o cenário mundial e criticou os investimentos em armamentos.
“O Estado não precisa ser o fabricante, não precisa ter a fábrica. Seu papel é incentivar, criar políticas de crédito, financiamento e apoiar a produção. Quando a população é beneficiada, todos ganham e vidas são salvas. Principalmente agora, quando ligamos a televisão e só se fala em morte. Se ligamos à noite, é sobre guerra. De manhã, sobre morte, drones, mísseis, invasão”, declarou.
“Aqui, falamos em preservar vidas. Isto é um drone de medicamento para o povo brasileiro. Este é o nosso míssil. Não um míssil para matar, mas um míssil para salvar”, disse Lula, ao exibir caixas de remédios que podem custar até R$ 6 mil por seringa, mas são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.







