A tensão no Oriente Médio aumenta com o impasse nuclear entre Estados Unidos e Irã. O presidente americano, Donald Trump, mantém as ameaças de atacar o país persa. Enquanto isso, autoridades iranianas anunciam novas propostas para um acordo nuclear na terceira rodada de negociações, marcada para quinta-feira, 26, em Genebra. A postura de Israel e outros fatores alimentam o temor de uma escalada que pode levar a um conflito armado na região.
O chanceler iraniano, Abbas Araghachi, afirmou no domingo que Teerã prepara uma nova proposta a ser entregue em 26 de fevereiro ao enviado especial dos EUA, Steve Witkoff. Enquanto isso, países do Oriente Médio acompanham com apreensão cada declaração vinda de Washington, temendo uma deterioração da situação.
Apesar de Araghachi dizer que algumas demandas americanas serão atendidas, a solução para pontos específicos de discórdia permanece complexa. O Irã agora se declara pronto para limitar o nível de enriquecimento de urânio, assegurando o caráter pacífico de seu programa nuclear – considerado legítimo pelo governo local.
Por outro lado, Steve Witkoff reiterou que o presidente Trump exige o abandono completo do programa de enriquecimento de urânio pelo Irã. O estoque do metal pesado, que soma 10 toneladas – incluindo 400 kg enriquecidos a 60% – precisaria ser enviado para fora do país.
A questão é saber se, na quinta-feira, americanos e iranianos chegarão a um entendimento, possivelmente contrariando os interesses de Israel. Os israelenses estão insatisfeitos com a tática americana e com a falta de exigências de Washington por garantias sobre o programa iraniano de mísseis balísticos. Para as lideranças de Israel, Teerã está ganhando tempo, e cada dia de negociação em Genebra permite que o Irã fortaleça sua infraestrutura nuclear.
Tensões crescentes nas capitais
O clima também ficou mais tenso na capital iraniana. Um número crescente de residentes acredita que um ataque dos Estados Unidos é inevitável, embora não haja sinais de pânico ou correria aos mercados para estocar mantimentos.
Segundo várias fontes, Donald Trump avalia a possibilidade de um ataque “limitado” nos próximos dias, para forçar Teerã a se render – chegando a ameaçar a derrubada do regime. Essa alternativa, apoiada por alguns iranianos após os massacres recentes, poderia lançar o país no caos, com sérios impactos econômicos.
Além disso, o comandante do Exército declarou que as forças armadas estão em alerta máximo. O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que seu país retaliará qualquer agressão militar com bombardeios a bases americanas ou forças navais na região.
No Líbano, o ambiente também é de preocupação, diante do risco de o país ser arrastado para uma eventual guerra entre Irã e Estados Unidos. Naim Qassem, líder do Hezbollah e aliado de Teerã, alertou que seu grupo não manterá neutralidade em caso de conflito.
Alerta máximo para os americanos no Líbano
Há alguns dias, tropas americanas destacadas no Líbano, com base em acordos de cooperação com o Exército local, estão em alerta máximo. Fontes de segurança relatam que unidades posicionadas em uma base aérea a 50 km ao norte de Beirute e no complexo da embaixada americana, a 15 km da capital, ativaram um protocolo de segurança especial.
As medidas implementadas pelos militares americanos já não seguem os termos dos acordos estabelecidos com as autoridades libanesas. Como consequência, tropas americanas e libanesas se envolveram em um confronto na segunda-feira, 16, nos arredores da base aérea de Hamath.
O aumento dos ataques israelenses também é visto como um sinal de um possível conflito iminente entre Irã e Estados Unidos. Na semana passada, cerca de doze integrantes do Hezbollah, incluindo um comandante de alta patente, foram mortos em ataques israelenses no sul do Líbano e no Vale do Bekaa.
Israel vê o momento como uma chance para enfraquecer o eixo iraniano. Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prepara seus ministros para todos os cenários, o país teme ter que enfrentar um confronto direto sozinho caso o ultimato americano – que vence no início de março – seja novamente estendido. Segundo a imprensa israelense, a fase das palavras acabou; agora, Israel aguarda ações concretas.







