O sentimento predominante é de um esgotamento profundo, tanto no cotidiano quanto na disposição para reunir energia e persistir nas denúncias contra os crimes bélicos da Rússia e de seu comandante, Vladimir Putin. Após quatro anos, o conflito na Ucrânia permanece sem solução e não deve chegar ao fim tão cedo.
O universo artístico e cultural perdeu ímpeto. Até performers comprometidos, como a banda de heavy metal ucraniana Jinjer, parecem ter dificuldade em manter a mesma pressão para que o mundo condene a Rússia e a impeça nos combates – ainda que uma confrontação global e definitiva contra essa nação imperialista seja crucial.
O grupo Jinjer, estabelecido há algum tempo nos Países Baixos, ainda vende itens patrióticos em seu site, revertendo as doações para as forças armadas e instituições de saúde de seu país. No entanto, suas declarações tornaram-se mais moderadas e menos frequentes. A principal referência do rock ucraniano já não parece alimentar expectativas de mudanças políticas relevantes.
Outras figuras do rock da Ucrânia, como Stoned Jesus e Yngvarr Novicki, mantêm-se em silêncio, enquanto diversos artistas fazem o possível para subsistir e permanecer no território nacional. A solidariedade dentro da Europa ainda existe, mas parece inadequada para oferecer algum consolo à população.
Os irlandeses do U2 voltaram a dar um apoio valioso com seu EP recente, “Days of Ash”, que aborda questões políticas e reafirma o respaldo à causa ucraniana. Talvez seja necessária uma nova visita dos músicos à capital, Kiev. Bono e o guitarrista The Edge fizeram isso em 2023, gravando vídeos com artistas locais no metrô e entre ruínas. Foi uma ação propagandística de grande impacto, mas o tempo esvaziou sua força.
A nova faixa “Yours Eternally”, incluída no EP, é uma reverência tocante aos militares e civis no esforço de guerra contra o invasor russo, e conta com a colaboração do cantor inglês Ed Sheeran.
Os holandeses do Within Temptation também passaram um breve período em Kiev durante 2024, gravando clipes e fazendo apresentações acústicas nas ruas em apoio à população que sofria com bombardeios e cortes de energia. Será que o mundo precisa de uma mobilização internacional no estilo “USA For Africa” ou “Live Aid” para recolocar a Ucrânia no foco global?
O custo humano do conflito
A guerra imperialista movida pela Rússia completa quatro anos e já resultou na morte de aproximadamente 500 mil militares e civis, segundo cálculos de agências internacionais. Cerca de 10 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, buscando abrigo em países vizinhos ou em outras regiões da Ucrânia.
O governante russo, conhecido por suas falsidades, alega que a aproximação da Ucrânia com a Europa representa uma ameaça à segurança russa. Na verdade, trata-se apenas de um imperialista deplorável, saudosista de uma suposta grande Rússia dos tempos czaristas e soviéticos.
O cenário político internacional
Enquanto isso, a figura ridícula de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, constrange ao tentar “mediar” uma capitulação ucraniana que justifique seus delírios imperialistas. Como manter a esperança diante desse espetáculo lamentável de criminosos que atentam contra a humanidade?
Qualquer acordo de paz que não estabeleça a retirada completa das tropas russas e a restituição integral dos territórios é inaceitável. Isso não será admitido, independentemente da insistência do infame Trump em forçar tal cenário. Por essa razão, o conflito permanece distante de uma conclusão.






