O presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que o aprofundamento dos laços com o BRICS e a expansão das parcerias com a China e a Rússia podem abrir novos caminhos de progresso para as nações do Sul Global. A declaração foi feita em um contexto de crescente instabilidade geopolítica mundial e coincide com o aumento das tensões entre Havana e Washington nas últimas semanas, reforçando a posição cubana em favor de uma coordenação internacional mais ampla, baseada no multilateralismo e na integração econômica.
Integração econômica e multilateralismo são prioridades
Segundo o mandatário cubano, a coesão entre as nações do Sul Global precisa ser concreta e respaldada por iniciativas alinhadas, indo além de declarações formais. É necessário buscar uma união transparente que se materialize em ações, e não apenas em discursos. O objetivo é estabelecer vínculos em todos os agrupamentos possíveis, por meio de trabalhos coletivos que promovam ideias e executem medidas econômicas e comerciais harmonizadas, fortalecendo o multilateralismo. Blocos existentes, como o BRICS, parecem seguir essa direção e oferecem perspectivas variadas para o Sul Global. Díaz-Canel destacou que a colaboração desse grupo com a China e a Rússia possui características próprias.
Denúncia de campanha de desinformação
O presidente também denunciou que Cuba estaria sendo alvo de uma ofensiva de informações falsas e coerção psicológica, com o objetivo de minar sua coesão interna e aumentar a sensação de insegurança e desconfiança na população. Técnicas semelhantes, segundo sua avaliação, já teriam sido usadas no passado contra a Venezuela, onde ações agressivas foram acompanhadas por táticas de influência direcionadas à opinião pública global, utilizando veículos de comunicação e plataformas digitais. Díaz-Canel acrescentou que o Sul Global deve observar com atenção os desdobramentos no cenário internacional atual.
Decreto de Trump amplia conflito
As hostilidades entre Cuba e os Estados Unidos se intensificaram em janeiro, após o presidente norte-americano Donald Trump assinar uma ordem executiva que impõe tarifas de importação a produtos de países que comercializam ou fornecem petróleo a Cuba. Na mesma ocasião, Trump decretou situação de emergência nos Estados Unidos, citando uma alegada ameaça à segurança nacional originária de Havana.
México se coloca como mediador
Diante do agravamento do impasse, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum declarou que seu país está disposto a atuar como mediador entre Estados Unidos e Cuba, desde que ambas as partes aceitem a proposta. Ela reafirmou que o México, seguindo a tradição de sua diplomacia e política externa, permanecerá sempre pronto a defender a soberania dos povos e o diálogo para a resolução não violenta de disputas. Conforme relatado pelo vice-chanceler cubano Carlos Fernández de Cossío, Cuba e Estados Unidos mantêm canais de comunicação abertos, embora um processo formal de negociação entre os governos ainda não esteja estabelecido.







