17 de fevereiro de 2026
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

País com 16 idiomas oficiais e segunda maior reserva de ouro da África busca entrada no BRICS

O Zimbábue chamou a atenção do BRICS ao apresentar uma proposta que reúne aspectos geológicos, políticos e financeiros: o país possui a segunda maior reserva confirmada de ouro da África, cerca de 1,6 mil toneladas, segundo dados associados ao Serviço Geológico dos Estados Unidos. O objetivo declarado é usar esse poderio mineral para impulsionar o crescimento econômico e conquistar um lugar à mesa ao lado de Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul.

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Esse movimento se baseia em uma avaliação de oportunidades para 2026. As autoridades do Zimbábue manifestaram o desejo de integrar o BRICS e também o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), com a intenção de obter investimentos e tecnologia. A questão central que surge, ainda que não explicitada, é clara: que parte desse potencial se converterá em prosperidade real, e quanto permanecerá inacessível, preso no subsolo, na complexidade burocrática ou em disputas por influência?

Um Estado com 16 línguas oficiais que busca transformar pluralidade em estratégia

O Zimbábue se destaca como a única nação reconhecida pelo Guinness World Records por adotar 16 idiomas oficiais, como shona, ndebele e inglês. Essa diversidade linguística vai além de uma característica cultural, permeando o sistema educacional, a administração pública e a vida em sociedade, resultando em uma estrutura institucional mais complexa que a de países com uma ou duas línguas predominantes.

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Ao mirar o BRICS, o governo tenta transformar essa identidade multifacetada em um trunfo diplomático, promovendo a imagem de uma nação com riqueza cultural e lastro econômico sólido. Esse lastro é justamente a segunda maior reserva comprovada de ouro, usada como credencial em um momento em que blocos internacionais buscam parceiros com ativos concretos, e não apenas declarações de intenção.

A base numérica que fundamenta a candidatura ao BRICS

Os números apresentados são expressivos e diretos: cerca de 1,6 mil toneladas de reservas confirmadas no Zimbábue, posição superada apenas pela África do Sul, citada com aproximadamente 5 mil toneladas. Nesse contexto, a menção à “segunda maior reserva comprovada de ouro” se torna o elemento central da narrativa, pois confere hierarquia e classificação, dois fatores que despertam interesse em negociações econômicas.

O mesmo argumento introduz um segundo dado, ainda mais impactante: um potencial estimado de até 13 mil toneladas em áreas ainda não exploradas. Aqui reside uma distinção crucial para o futuro: o que é comprovado se refere a reservas já estimadas, enquanto o potencial depende de exploração, investimentos, tecnologia, licenças e capacidade operacional para se materializar.

Onde estaria o “novo ouro” e a relevância do Great Dyke

As reservas potenciais estão associadas à região do Great Dyke, uma formação geológica conhecida por sua abundância de recursos naturais. O relato também menciona cinturões minerais em Midlands e Manicaland, indicando uma distribuição territorial que pode demandar infraestrutura, logística e governança regional para evitar a concentração de benefícios e de impactos ambientais e sociais.

Dessa forma, o pedido de adesão ao BRICS vai além do aspecto meramente simbólico. Se o Zimbábue realmente almeja expandir sua produção, precisará de capital, maquinário, cadeias de suprimentos e estabilidade regulatória. A segunda maior reserva comprovada de ouro serve como argumento inicial, mas o Great Dyke e os cinturões minerais representam o teste prático, pois é neles que se definirá se 2026 será um marco transformador ou apenas mais uma promessa.

A influência continental e o significado prático de 4% a 7%

Atribui-se ao Zimbábue uma participação entre 4% e 7% das reservas de ouro do continente africano, estimadas em cerca de 30 mil toneladas. Essa proporção é usada para enfatizar que o país não é um ator periférico. Quando uma nação detém uma fração significativa de um ativo mineral global, ela ganha peso em discussões sobre crédito, investimentos e balança comercial.

Contudo, essa influência não é instantânea. Há uma diferença entre a existência de ouro em reservas e a capacidade de convertê-lo em receita e progresso. O cenário mais plausível, seguindo a lógica exposta, é que o governo tente usar a posição de detentor da segunda maior reserva comprovada de ouro como alavanca para atrair projetos, obter melhores condições de financiamento e negociar sua participação em mecanismos do BRICS e do NBD, reduzindo a dependência de canais tradicionais.

NBD, tecnologia e o desafio de “redesenhar a economia” em 2026

O interesse declarado inclui o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), visto como uma via para acessar investimentos e tecnologias avançadas. Isso poderia significar financiamento para infraestrutura e projetos de mineração, além de know-how técnico para explorar áreas ainda inativas, onde reside o potencial mencionado de 13 mil toneladas.

No entanto, a própria estratégia contém um dilema inerente. Se o propulsor do plano é o ouro, a nação precisa demonstrar que pode expandir sua exploração sem aumentar desigualdades e sem tornar seu desenvolvimento refém de um único recurso natural. A aposta “pode redesenhar a economia em 2026”, mas essa transformação depende do que a antecede: governança, capacidade de execução e a credibilidade na transição entre a reserva comprovada e o potencial anunciado.

O Zimbábue busca se afirmar no cenário do BRICS com uma combinação singular: uma diversidade oficial de 16 idiomas e a segunda maior reserva comprovada de ouro da África, citando 1,6 mil toneladas confirmadas e a perspectiva de 13 mil em áreas por explorar, tendo o Great Dyke, Midlands e Manicaland como pontos-chave dessa ambição.

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