O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira que planeja apresentar propostas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma entrevista ao canal India Today.
As propostas oficiais visam ampliar a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado e ao narcotráfico, conforme declarou o mandatário brasileiro em Nova Délhi.
Lula disse que pretende levar uma proposta formal a Trump quando se reunirem, referindo-se a um encontro bilateral previsto para breve na agenda diplomática.
Segundo ele, a cooperação mútua deve envolver as agências de investigação e controle de ambas as nações na luta contra o crime organizado transnacional.
O presidente destacou que o Brasil conta com uma Polícia Federal altamente especializada e uma Receita Federal muito capacitada, expressando interesse em uma ação conjunta com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Ele também mencionou a colaboração com a Receita americana no combate ao tráfico de drogas, defendendo uma parceria institucional entre os órgãos dos dois países na área de segurança pública.
Minerais críticos na pauta bilateral
Além das questões de segurança, o presidente afirmou que pretende discutir com Trump o tema dos minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para o setor industrial e para a transição energética global.
Lula declarou que o Brasil possui muitos desses recursos, mas não quer transformar o território nacional em um “santuário da humanidade”, em referência à exploração mineral.
O presidente defendeu que prefere negociar com soberania, para que o processo de transformação desses minerais críticos ocorra e seja explorado dentro do país, e não no exterior.
“Venderemos a quem quisermos vender”
Lula completou dizendo que “venderemos a quem desejarmos vender”, reafirmando a soberania na exploração dos recursos minerais e a independência nas decisões comerciais do Brasil sobre seus ativos estratégicos.
Na entrevista, ele também observou que uma possível desdolarização do comércio entre os países do BRICS deve ser vista como um processo gradual e de longo prazo.
Segundo Lula, não há debate sobre a criação de uma moeda única para o bloco, mas sim sobre ampliar o uso das moedas nacionais nas transações comerciais entre as nações.
“Não podemos ser reféns de uma moeda só”
Isso deve ser feito quando for benéfico para todos os lados envolvidos, reduzindo a dependência do dólar sem descartá-lo completamente, conforme sua visão.
O presidente afirmou que o objetivo é diminuir a dependência do dólar nas transações internacionais, sem propor o fim do papel da moeda americana como referência global.
Lula disse que estão examinando mecanismos para incrementar o comércio em moedas locais, reconhecendo a importância da economia dos Estados Unidos.
Ele acrescentou, porém, que não se pode ser refém de uma única moeda, defendendo maior autonomia para as nações emergentes nas transações comerciais internacionais.
“Um passo de cada vez”
O presidente explicou que defende o uso de outras moedas no comércio, caracterizando isso como “um passo de cada vez”, em referência ao processo gradual de diversificação monetária nas transações dos países do Sul.
Afirmou que ninguém deve ser forçado a depender do dólar, mas também não se pode desmontar esse sistema da noite para o dia, reconhecendo a complexidade de uma transição monetária internacional.
Lula comentou que a discussão sobre o emprego de moedas locais não é nova, lembrando que, em seu primeiro mandato, Brasil e Argentina estabeleceram um sistema para transações.
Exemplo do sistema Brasil-Argentina
Esse sistema permitia operações entre pequenas e médias empresas usando as moedas nacionais, experiência que Lula citou como um modelo para estender o mecanismo a outros países parceiros.
Ele recordou que, naquela ocasião, foi estabelecido com a Argentina um sistema de uso de moedas locais no comércio entre pequenas e médias empresas dos dois países.
Segundo Lula, é preciso considerar as dificuldades e as flutuações cambiais envolvidas no processo de transição para um uso mais amplo de moedas nacionais.
O presidente afirmou que o debate deve levar em conta os impactos para cada parceiro comercial, reconhecendo que os Estados Unidos veem com apreensão qualquer iniciativa que reduza a centralidade do dólar no sistema financeiro internacional.
Isso demonstra compreensão sobre a posição americana, mas também a defesa da soberania dos países em desenvolvimento. Lula questionou o que é mais vantajoso para o Brasil e para cada nação, destacando a necessidade de avaliar os benefícios bilaterais caso a caso.







