23 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Lula projeta fluxo comercial de US$ 30 bilhões com a Índia até 2030

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que estabeleceu, junto ao primeiro-ministro indiano Narendra Modi, a meta de elevar o comércio bilateral para 30 bilhões de dólares até 2030. O volume atual entre os países foi de 15,2 bilhões de dólares em 2025.

Continua após a publicidade

Em coletiva na capital indiana, o mandatário brasileiro lembrou que, em sua primeira visita, o intercâmbio comercial era de apenas 2,4 bilhões de dólares. “Chegamos agora a 15 bilhões, um valor ainda modesto para economias do nosso porte. Disse a Modi que vamos atingir os 30 bilhões em 2030, considerando o forte potencial de ambos e a necessidade urgente do programa Nova Indústria Brasil”, ressaltou Lula.

A missão presidencial ao país asiático começou na quarta-feira e terminou no domingo. O chefe de estado seguiu direto para Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung, onde cumprirá uma agenda oficial de dois dias, até 24 de fevereiro.

Continua após a publicidade

Durante a coletiva, Lula destacou as várias semelhanças e demandas comuns entre Brasil e Índia. “Somos duas nações com necessidades. Ninguém se acha superior”, afirmou, citando a elaboração de planos de ação, metas e parcerias. “Não há espaço para um tom de supremacia ou grandeza. É uma política entre iguais. Isso me deixa muito satisfeito e otimista”, enfatizou.

O presidente mencionou a assinatura de sete acordos na área da saúde. “O Sistema Único de Saúde dá ao Brasil a chance de se tornar um dos maiores mercados consumidores, não só de medicamentos, mas também de equipamentos modernos para diagnóstico e tratamento. Tudo isso vai exigir parcerias com a Índia, China, Estados Unidos e países europeus”, observou, reiterando que o Brasil “não tem preferências comerciais”.

Segundo o presidente, a agenda bilateral com Modi focou apenas em temas de interesse dos dois países, sem aprofundar questões de geopolítica internacional. “Sei o que a Índia pensa sobre certos problemas e sei a posição do Brasil. Discutimos o que nos une: nossa luta para fortalecer as economias e superar a situação atual”, disse Lula.

“Queremos nos tornar nações altamente desenvolvidas. Não debatemos nenhum tema polêmico entre nós, porque não vim para discutir divergências, e sim as convergências entre Brasil e Índia.”

Lula acrescentou que não comentou com Modi sobre o acordo recente da Índia com os Estados Unidos. “É uma questão deles. Da mesma forma, qualquer acordo nosso é uma questão minha”, respondeu. Ele classificou o diálogo com o líder indiano como “extraordinário”, citando pactos ministeriais, parcerias em inteligência artificial e a busca por investimentos do setor privado.

“Estou em contato com empresários que investem no Brasil, e todos querem ampliar seus investimentos. Há muito otimismo nesse sentido”, comentou.

A visita presidencial à Índia resultou em acordos de cooperação nas áreas de defesa, aviação civil e militar, comércio, investimentos, saúde, indústria farmacêutica, ciência e tecnologias digitais, energia, minerais críticos, cooperação espacial, educação e cultura.

“Esta minha vinda à Índia marca o início de uma nova relação bilateral. A tendência natural é uma melhora significativa em todos os aspectos, incluindo investimentos brasileiros aqui em inteligência artificial, investimentos indianos no Brasil e parcerias entre nossas universidades e ministérios. Somos os irmãos democráticos mais importantes do Sul Global e precisamos dar o exemplo”, enfatizou o presidente.

No total, foram firmados 11 acordos governamentais, segundo o Ministério das Relações Exteriores, abrangendo áreas como minerais críticos, propriedade intelectual, saúde, serviços postais, empreendedorismo e certificados de origem. Outros três memorandos de entendimento entre universidades, fundações e entidades governamentais também foram assinados.

ONU, Brics, G7 e EUA também estiveram na pauta

O presidente voltou a defender reformas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Afirmou que, em sua configuração atual, a entidade “não resolve nenhum problema” e ressaltou a necessidade de fortalecê-la.

Disse que há muito tempo pede mudanças no estatuto da ONU e em seu Conselho de Segurança, observando que o colegiado não tem membros da África ou da América Latina e conta apenas com a China para representar a Ásia. Em seguida, questionou a ausência de países como Índia, Brasil, Alemanha, México, Nigéria e Egito no órgão.

“Há muitas nações com milhões de habitantes que poderiam participar. Para quê? Para promover mudanças. Para que a ONU recupere sua eficácia e representatividade”, declarou Lula. “Do jeito que está, a ONU tem eficácia muito reduzida, não soluciona problemas. É capaz de fazer um bom diagnóstico, mas não oferece o remédio. Se você só diagnostica e não trata, perde credibilidade.”

Lula ressaltou a necessidade de fortalecer a ONU para que ela prevaleça como “uma instituição vital para a manutenção da paz e da harmonia mundial”. Para isso, defendeu a necessidade de “estar unidos”, em referência ao conceito de multilateralismo que tem propagado.

No campo econômico, o presidente comentou o convite do presidente francês, Emmanuel Macron, para participar da cúpula do G7 em junho, dizendo que o líder francês “está avaliando a possibilidade de uma aproximação entre os Brics e o G7”.

“Os Brics representam a formação de um grupo muito forte – quase metade da população e do PIB mundial. Precisamos ter consciência de que dez membros dos Brics participam do G20”, observou. Ele completou informando que, além dele, Macron convidou Narendra Modi e a África do Sul.

“Vamos começar a entender que não precisamos de conflitos, nem de tantos grupos como G7, G4 ou G20”, disse. “Talvez nosso grupo fortalecido se una ao G20 e, quem sabe um dia, tenhamos apenas um fórum. Em vez de Brics e G20, poderíamos ter um G30 ou algo parecido, pois não são necessárias tantas reuniões. Acredito que estamos caminhando nessa direção, rumo a um comércio mundial mais justo.”

Lula afirmou que os Brics dão voz a um grupo antes marginalizado e destacou que o bloco tem ambições políticas, exemplificando com a criação de seu banco. Reconheceu saber da inquietação dos Estados Unidos em relação ao bloco, devido à presença da China, mas frisou que os Brics não desejam uma “guerra fria”, e sim se fortalecer.

Ele também enfatizou a disposição do Brasil em cooperar com os Estados Unidos para levar “magnatas da corrupção” à prisão. “Disse ao presidente Trump que estamos dispostos a trabalhar com os EUA no combate ao narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. Qualquer iniciativa que possa prender os grandes corruptos, estamos dispostos a colaborar”, afirmou Lula em Nova Délhi.

Por fim, detalhou que já conversou três vezes por telefone com o presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o assunto, que o Brasil já compartilhou informações e documentos com os EUA e já implementou ações nesse sentido, como a criação de uma entidade para combater o crime organizado e o narcotráfico nas fronteiras.

Continua após a publicidade

Vitória, ES
Temp. Agora
26ºC
Máxima
31ºC
Mínima
23ºC
HOJE
23/02 - Seg
Amanhecer
05:36 am
Anoitecer
06:13 pm
Chuva
0.89mm
Velocidade do Vento
5.14 km/h

Média
24.5ºC
Máxima
25ºC
Mínima
24ºC
AMANHÃ
24/02 - Ter
Amanhecer
05:36 am
Anoitecer
06:12 pm
Chuva
4.55mm
Velocidade do Vento
3.37 km/h

A cidade que a gente usa todos os dias: por que...

Marcos Paulo Bastos

Leia também