Em entrevista ao programa India Today, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a inteligência artificial seja regulada por uma entidade multilateral de grande porte, semelhante à ONU. O objetivo, segundo ele, é garantir que seus benefícios alcancem toda a sociedade, e não fiquem concentrados nas grandes plataformas digitais. A declaração foi dada durante sua visita oficial à Índia.
Lula destacou a necessidade de proteger crianças, jovens e mulheres dos riscos que a IA pode trazer à privacidade e da violência que pode amplificar. Ele questionou a resistência à regulação por parte das principais plataformas, argumentando que apenas uma governança coletiva assegura que a tecnologia sirva a toda a humanidade.
“Ela tem potencial para elevar os padrões de vida, especialmente em saúde e educação. A inteligência artificial precisa contribuir para o desenvolvimento das nações e para a melhoria das condições de trabalho. O controle deve ser exercido pela sociedade”, afirmou.
BRICS e desdolarização
O presidente descreveu o BRICS como uma das iniciativas mais relevantes das últimas três décadas. Segundo ele, o bloco representa o Sul global, com integrantes como Índia, China e Indonésia, que juntos abrigam mais da metade da população mundial. Lula defendeu que o grupo adote uma “nova abordagem institucional” e se renove conforme as demandas do século XXI.
Ele também incentivou o uso de moedas locais nas transações comerciais entre os países do BRICS, para reduzir a dependência exclusiva do dólar. Como exemplo, citou acordos já estabelecidos por seu governo, como os feitos com a Argentina.
Relações internacionais
Lula afirmou manter um bom relacionamento com Donald Trump e disse buscar parcerias estratégicas em áreas como minerais críticos e combate ao crime organizado, sempre preservando a soberania brasileira. Sobre a Índia, ressaltou a presença de trezentos empresários brasileiros em um fórum de negócios e a vontade de aprofundar os laços culturais, políticos e econômicos entre os dois países.
“Queremos aprender com a Índia e compartilhar nossos conhecimentos. Buscamos parcerias que gerem benefícios para os povos, não apenas conquistas isoladas. É por isso que apoio o multilateralismo”, concluiu.






