O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, designou seu principal encarregado de segurança nacional para assegurar a preservação do Estado em caso de atentados ou assassinatos, conforme revelado em reportagem do The New York Times (NYT).
De acordo com o artigo, Ali Larijani está entre os poucos aliados políticos e militares próximos a Khamenei incumbidos de manter a continuidade do governo iraniano perante possíveis ataques dos Estados Unidos e de Israel, ou diante do assassinato da liderança em Teerã.
A publicação informa que vários altos funcionários e integrantes da Guarda Revolucionária relataram ao periódico que Khamenei estabeleceu um conjunto de orientações para garantir a governabilidade do país. As diretrizes preveem quatro camadas de sucessão para cargos militares e governamentais por ele designados, além de ordens para que altas autoridades indiquem até quatro suplentes.
Caso a comunicação com ele seja interrompida ou em eventuais situações de falecimento, Khamenei também teria transferido atribuições para um círculo restrito de confidentes, segundo dados repassados ao NYT por altos funcionários, diplomatas e comandantes das forças armadas.
Larijani foi designado em agosto para o cargo de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, órgão com autoridade final sobre as decisões de segurança e política externa do Irã.
Durante o conflito de doze dias com Israel em junho, Khamenei teria apontado três possíveis sucessores. Entre os nomes mencionados por fontes como líderes em potencial estão Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento, e o ex-presidente Hassan Rouhani.
Comunicações confidenciais entre Washington e Teerã durante período de hostilidades
Conforme o NYT, o enviado norte-americano Steve Witkoff buscou contato com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, após as ameaças de Trump de bombardear o país caso manifestantes fossem mortos – em um contexto de retórica belicosa crescente vinda de Washington.
Araghchi, então, pediu permissão ao presidente Masoud Pezeshkian para dialogar com Witkoff. Pezeshkian, porém, orientou-o a obter a anuência de Larijani – uma ação que, segundo o relatório, evidencia a função central do chefe de segurança e a aparente disposição do presidente em ceder autoridade.
O informe sobre os planos sucessórios de Khamenei surge em um momento de tensão crescente entre EUA e Irã, mesmo com os diálogos diplomáticos conduzidos nesta semana.






