20 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Documentos revelam tentativa de Epstein de estabelecer conexões no Oriente Médio

Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que o bilionário Jeffrey Epstein, condenado por abuso e tráfico sexual, tentou estabelecer uma rede influente de contatos com personalidades políticas e empresariais no Oriente Médio. A repercussão mais notável na região, após a publicação dos arquivos, foi a saída do diretor-executivo da gigante portuária de Dubai, a DP World.

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A empresa anunciou que Sultan Ahmed Bin Sulayem renunciou aos cargos de presidente do conselho e diretor-executivo.

Segundo duas fontes próximas ao assunto consultadas pela agência Reuters, a decisão ocorreu depois que o nome de Bin Sulayem foi mencionado nos registros de Epstein e sua conexão com o criminoso sexual falecido passou a ser examinada com mais atenção.

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Nas trocas de mensagens, Bin Sulayem conversava sobre encontros sexuais com mulheres que Epstein o ajudou a conhecer.

Num e-mail de 9 de novembro de 2007, ele relatou a Epstein ter conhecido uma dessas mulheres em Nova York, cujo nome não foi revelado, e afirmou não ter mantido relações sexuais com ela.

“Sim, depois de várias tentativas ao longo de meses, conseguimos nos encontrar em Nova York”, escreveu ele, acrescentando que houve um desentendimento, pois “ela queria NEGÓCIOS! enquanto eu só queria SEXO!”.

O governante de Dubai também emitiu um decreto nomeando um novo presidente para a Corporação de Portos, Alfândegas e Zonas Francas de Dubai, uma das várias posições ocupadas por Bin Sulayem.

A Reuters analisou de forma independente apenas parte dos arquivos de Epstein ligados a Bin Sulayem e não conseguiu confirmar o motivo exato de sua saída da DP World, embora as fontes tenham indicado uma relação com os documentos, sem dar mais detalhes.

Bin Sulayem não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters sobre sua saída. A DP World também se absteve de comentar.

Investidores suspendem negócios com empresa ligada a Bin Sulayem

Em trocas de e-mail, Jeffrey Epstein descreveu Sultan Ahmed Bin Sulayem como divertido, confiável e um entusiasta da boa gastronomia. O magnata ainda mencionou que o ex-diretor-executivo, muçulmano, não consome bebidas alcoólicas e ora cinco vezes ao dia.

Uma fotografia sem data, presente num e-mail de acesso público, mostra Epstein cozinhando ao lado de Bin Sulayem, com ambos aparentando estar à vontade. A identidade completa do destinatário da imagem enviada pelo americano não foi revelada.

Bin Sulayem não se manifestou publicamente sobre a descrição feita por Epstein ou sobre os e-mails que tratam de seu relacionamento com ele.

A simples menção do nome de alguém nos arquivos não constitui evidência de atos criminosos.

No entanto, após membros do Congresso dos EUA afirmarem que o nome do ex-diretor-executivo constava nos documentos divulgados pelo DOJ, ele passou a enfrentar questionamentos de alguns investidores da DP World sobre suas interações anteriores.

Sultan Ahmed Bin Sulayem não se pronunciou publicamente para abordar essas preocupações.

A agência de financiamento para o desenvolvimento do Reino Unido, BII, e o segundo maior fundo de pensão do Canadá declararam na semana passada a suspensão de todos os novos investimentos na DP World, citando os alegados laços de Bin Sulayem com Epstein.

“Estamos chocados com as alegações que surgiram nos Arquivos Epstein relativas ao Sultão Ahmed Bin Sulayem”, declarou um porta-voz da BII, sem especificá-las. “Diante das acusações, não realizaremos novos investimentos com a DP World até que a empresa adote as medidas necessárias.”

O fundo de pensão canadense La Caisse afirmou que está “suspender a alocação de capital adicional junto à empresa” até que a DP World esclareça a situação e execute “as medidas necessárias”.

Num comunicado após as mudanças na liderança da DP World, a BII apoiou a decisão da empresa e expressou expectativa de continuar “nossa parceria para impulsionar o desenvolvimento de portos comerciais africanos importantes”.

A La Caisse declarou que “a empresa tomou as medidas apropriadas” e que “agirá rapidamente para trabalhar com a nova liderança da DP World a fim de continuar nossa parceria em projetos portuários em todo o mundo”.

Bin Sulayem não respondeu de imediato ao pedido de comentário da Reuters sobre as ações da BII e da La Caisse. A DP World manteve silêncio.

Rede de conexões de Epstein

O amplo conjunto de documentos liberado pelo Departamento de Justiça dos EUA, que inclui mensagens de texto e e-mails, também mostra que o Oriente Médio não ficou de fora dos esforços de Epstein para usar sua fortuna e construir relações com figuras proeminentes da política, finanças, academia e negócios globalmente.

A Reuters não conseguiu apurar o nível de sucesso de Epstein em influenciar seus contatos na região, nem se seus conselhos foram seguidos.

Os documentos do Departamento de Justiça analisados pela agência demonstram que Epstein tentou aconselhar líderes empresariais e figuras políticas do Catar durante o bloqueio imposto ao país pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito entre 2017 e 2021. O cerco se baseava em acusações de que Doha não restringia laços com o Irã e apoiava o terrorismo, algo negado pelo Catar.

Em trocas de mensagens com o empresário catariano e membro da família real, Sheikh Jabor Yousuf Jassim Al Thani, Epstein exortou o Catar a “parar com as discussões e o acirramento dos ânimos”.

Ele afirmou que “a atual equipe do Catar é muito fraca” e que “o Ministro das Relações Exteriores não tem experiência, e isso fica evidente”.

O ministro das Relações Exteriores do Catar na época era o xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que atualmente acumula os cargos de primeiro-ministro e chanceler.

O xeque Mohammed não comentou publicamente a descrição feita por Epstein a seu respeito.

Questionado sobre a troca de mensagens, o Escritório Internacional de Mídia do Catar, responsável por atender à imprensa em nome do primeiro-ministro, recusou-se a comentar.

Não houve resposta a um pedido de comentário da Reuters enviado a três empresas no Catar que têm o xeque Jabor como presidente, nem a uma mensagem de texto enviada a um indivíduo que, conforme os arquivos, trabalha no escritório do xeque.

Epstein pressionou Doha a fortalecer relações com Israel para manter uma boa conexão com Donald Trump, então em seu primeiro mandato como presidente dos EUA.

Ele sugeriu que o país do Golfo reconhecesse Israel ou destinasse US$ 1 bilhão a um fundo para vítimas do terrorismo.

No final, o Catar manteve seu curso independente.

Em 2021, os países que impuseram o bloqueio restabeleceram relações com Doha, e os laços entre o governo Trump e o Catar encontram-se atualmente sólidos.

Discussões de Epstein sobre ofertas financeiras

Epstein debateu a oferta pública inicial (IPO) da Saudi Aramco em dezenas de trocas de e-mail.

Numa dessas correspondências, datada de 10 de setembro de 2016, com uma pessoa identificada como Aziza Alahmadi e com o ex-diplomata norueguês Terje Roed-Larson em cópia, o magnata alertou que a abertura de capital da Aramco poderia expor a Arábia Saudita a ações judiciais e confiscos de bens.

A Saudi Aramco recusou-se a comentar esses e-mails.

Não foi possível contatar Alahmadi para comentar o assunto, e a Reuters não conseguiu determinar seu possível papel nas atividades de Epstein.

Num e-mail de 16 de outubro de 2017, também enviado a Alahmadi, Epstein sugeriu vender à China uma opção de compra de uma participação de US$ 100 bilhões na Aramco, em vez de realizar um IPO tradicional, argumentando que isso traria liquidez e limitaria a exposição aos mercados públicos.

A Saudi Aramco não comentou os e-mails perante a Reuters. Roed-Larsen não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por e-mail através de seu advogado.

A influência do magnata americano também alcançou o Egito, conforme evidenciado pelos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Alguns e-mails mostram um pedido de assistência feito por um integrante da família de Hosni Mubarak — a esposa de seu filho Gamal Mubarak — que foi encaminhado a Epstein em 2011, após a deposição do ex-presidente e seus subsequentes problemas legais.

Os e-mails não especificam o tipo de ajuda solicitada, e a Reuters não conseguiu verificar se Epstein tentou interceder em nome da família.

A agência enviou um e-mail solicitando comentários a um advogado e uma mensagem de texto a outro, ambos representantes de Gamal Mubarak. Não houve resposta imediata.

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