A intensificação dos conflitos entre Afeganistão e Paquistão levou países do Brics a pedir a suspensão urgente dos combates na fronteira. Rússia, China, Irã e Índia manifestaram preocupação com a deterioração da situação e defenderam uma solução diplomática para conter a violência, segundo a teleSUR.
A emissora informa que os atritos aumentaram após uma série de ataques recíprocos nos últimos dias, com cada governo atribuindo ao outro a responsabilidade pelos incidentes. A escalada renovou os alertas sobre a estabilidade regional e ampliou o temor de mais vítimas civis.
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Moscou acompanha de perto os desdobramentos na fronteira e considerou prematuro tirar conclusões definitivas. No entanto, alertou que confrontos diretos prejudicam a paz regional.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, descreveu Afeganistão e Paquistão como nações amigas e defendeu a retomada do diálogo político e diplomático para resolver as divergências, conclamando ambos os lados a abandonarem o confronto.
A China também se manifestou, comunicando que tem trabalhado por meio de seus próprios canais para ajudar a reduzir as tensões. Em entrevista coletiva, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, disse que Pequim acompanha os eventos com grande preocupação e lamentou as vidas perdidas nos combates. Segundo ela, uma possível expansão do conflito pode causar danos mais graves. A representante pediu moderação às partes, prioridade às conversações e um acordo de cessar-fogo o mais rápido possível. Mao Ning reafirmou ainda que o país repudia o terrorismo em todas as suas formas.
O governo iraniano também apelou pelo diálogo e pela compreensão entre Cabul e Islamabad, oferecendo-se como mediador na busca de uma solução política para a crise.
Por sua vez, a Índia condenou os recentes atos de violência. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores indiano, Randhir Jaiswal, afirmou que os ataques aéreos paquistaneses, que causaram mortes de civis, representam uma nova manobra para exportar problemas internos. Nova Délhi reafirmou seu apoio à soberania e à integridade territorial do Afeganistão.
Novos confrontos e aumento das vítimas
Os enfrentamentos mais recentes envolveram bombardeios da Força Aérea do Paquistão contra alvos em Cabul, Kandahar e na província de Paktia durante a noite, como reação a operações transfronteiriças iniciadas pelo Afeganistão contra estruturas militares paquistanesas.
Esses eventos ocorreram depois de Islamabad ter atacado território afegão no sábado anterior, na esteira de atentados suicidas e outras ações violentas em solo paquistanês reivindicadas pelo Tehrik-i-Taliban Pakistan e pelo Estado Islâmico da Província de Khorasan.
As desavenças entre os dois países já se acumulavam desde o ano passado, quando incidentes na fronteira e explosões agravaram a troca de acusações. Em outubro, negociações em Doha, com mediação do Catar e da Turquia, levaram a um cessar-fogo. A trégua, porém, não conseguiu evitar o aumento da insegurança.
A fronteira que divide Afeganistão e Paquistão, chamada Linha Durand, foi estabelecida em 1893 pela administração britânico-indiana. Após a independência do Paquistão, em 1947, o Afeganistão não aceitou oficialmente o limite, um elemento que alimentou décadas de controvérsias.
Nos últimos meses, o Paquistão registrou um aumento da violência, sobretudo nas províncias de Khyber Pakhtunkhwa e Baluchistão, com ataques atribuídos a grupos terroristas. Em 6 de fevereiro, o Estado Islâmico reivindicou um ataque contra uma mesquita xiita em Islamabad, considerado o mais mortal na capital desde o atentado ao Hotel Marriott, em 2008, que deixou 60 mortos.







