Os países do BRICS anunciaram o lançamento de um sistema de pagamentos entre nações, baseado na tecnologia do Pix brasileiro. A iniciativa reforça os esforços das nações em desenvolvimento para reduzir o uso do dólar norte-americano em transações internacionais.
Batizado de Sistema Descentralizado de Mensagens Transfronteiriças, a ferramenta usa uma estrutura de blockchain para conectar os membros do grupo por meio de seus sistemas nacionais de pagamento. A solução permite liquidações financeiras diretas entre moedas locais e moedas digitais emitidas por bancos centrais, com capacidade para processar até vinte mil transações por segundo.
O movimento acompanha uma tendência crescente de afastamento da moeda americana. Segundo uma pesquisa do Bank of America, a percepção de investidores institucionais sobre o dólar atingiu seu ponto mais baixo desde 2012. Paralelamente, os países do BRICS já realizam uma parte significativa de seu comércio sem utilizar a moeda norte-americana. Rússia e China, por exemplo, fazem cerca de 90% de suas transações bilaterais em rublos e yuans, enquanto o bloco como um todo conclui aproximadamente 60% das operações em suas próprias moedas.
A iniciativa também prevê uma futura integração entre as moedas digitais soberanas. Índia, Brasil e China já testaram suas versões digitais e planejam avançar na compatibilidade técnica durante a cúpula do BRICS em 2026, marcada para Nova Délhi.
O sistema se apoia em plataformas já em operação: o Pix brasileiro, o CIPS chinês, a UPI indiana e o SPFS russo. A ideia central não é criar uma moeda comum, mas permitir transferências diretas entre os países, eliminando a necessidade de bancos como intermediários.
Com a entrada de novos membros a partir de 2024 — incluindo Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Indonésia — o bloco passou a representar mais de 40% da população mundial, ampliando sua influência econômica.
Essas medidas ocorrem em um cenário de tensões geopolíticas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já ameaçou impor tarifas de 100% sobre países que tentem reduzir a dependência do dólar. Em resposta, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o comércio com os EUA representa cerca de 1,7% do PIB do Brasil e que o país pode seguir economicamente sem depender do mercado americano.






