“Pardo”: um problema estrutural

Os primeiros sujeitos nomeados pelos portugueses como “pardos” foram as populações originárias em nosso solo. Atualmente, “pardos” e pretos são contabilizados pelo IBGE e acolhidos pelas discussões dos movimentos negros como populações negras.

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No entanto, atualmente está florescendo a discussão em todo território de Pindorama (Brasil), sobretudo na Amazônia, que nem toda pessoa “parda” pode ser lida como negra. Esse debate não exclui a certeza de que a população negra neste país é gigantesca, mas busca visibilizar a presença indígena nesses dados.

A população indígena no Brasil é brutalmente estereotipada pela mídia burguesa, pela educação formal etc., fazendo com que grande parte da população acredite que ser indígena se resume a nascer em um território demarcado e ter sua tradição intacta.

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Desta forma, essa lógica apaga as pessoas indígenas que nasceram em territórios não demarcados e possuem culturas híbridas, além das populações que foram arrancadas de seus núcleos comunitários e vivem em centros urbanos, em periferias, em assentamentos, em quilombos, entre outros lugares, as quais foram impedidas de vivenciarem suas tradições e usadas como mão de obra barata pelas elites urbanas e rurais.

Neste sentido, como ideologicamente se exige uma pureza étnica para as populações indígenas acessarem direitos direcionados a povos originários, estas populações são excluídas.

Desta maneira, nosso movimento Mocambo percebe que a formação positiva e crítica da identidade indígena é uma arma perigosa contra o sistema capitalista, pois se estas pessoas, afetadas pelo processos de genocídios, migrações compulsórias e catequizações, tomarem consciência de seus direitos originários, as buscas por políticas reparatórias serão mais frequentes.

Em um contexto de ataque eminente a populações indígenas, sobretudo às que vivem em contexto de floresta, promovidas pelo agro-negócio e pelo estado burguês, parece ilusório lutar também por direitos para as populações originárias desterritorializadas.

Afirmamos que essa luta só tende a ampliar o debate sobre o racismo na sociedades de classes, pois estas populações, em sua maioria, são populações trabalhadoras precarizadas, que vivem à margem de direitos sociais básicos.

Além disso, são populações que tem o direito originário sobre seus territórios perdidos, sendo necessário o incentivo a retomadas para a manutenção das suas vidas, tradições e a preservação dos biomas.

Neste sentido, nem todo “pardo” é negro, muitos “pardos” no Brasil são pessoas indígenas separadas de seu território e suas tradições. Assim, buscamos lutar para a formação das identidades indígenas, que são possíveis por meio de uma educação antirracista. Além disso, buscamos lutar por uma sociedade sem desigualdade de classes, pluriétnica e por um planeta saudável.

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Marília Sena
Professora, mestranda em Literatura pela UFPA, militante do Mocambo, do coletivo Pajeú e educadora popular do Cursinho popular Marielle Franco

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