O mercado de vinhos no Brasil passa por uma fase de fortalecimento e estabilidade. A pesquisa “Percepções e preferências sobre o consumo de vinhos no Brasil”, lançada em 2025 pela Consevitis-RS e pelo Sebrae, mostra uma transição sólida no comportamento do consumidor e na posição que o vinho nacional ocupa em suas preferências.
Realizada com 1.709 pessoas em todas as regiões, o estudo indica que o vinho deixou de ser uma bebida apenas para celebrações, integrando-se de forma mais espontânea ao dia a dia. Mais da metade dos que compraram vinho no último trimestre consomem a bebida semanal ou até diariamente. O preço médio pago por uma garrafa gira em torno de R$ 66, e o supermercado segue como o local preferido para a compra.
Fortalecimento do vinho nacional
Um dos pontos mais significativos da análise é a afirmação do vinho brasileiro. No Sudeste, 76% dos participantes relataram ter consumido vinho nacional nos últimos seis meses. Entre os consumidores mais assíduos, esse percentual é ainda maior. O produto nacional não está mais confinado ao nicho de preço baixo, começando a construir uma reputação de qualidade e características próprias.
O perfil que lidera essa expansão também chama a atenção. A bebida tem maior aceitação entre mulheres, adultos jovens e pessoas com nível educacional mais elevado. Entre o público feminino, ela já supera a cerveja como a preferida. O mesmo acontece entre aqueles com pós-graduação. Isso revela uma ligação crescente entre o consumo de vinho, conhecimento e estilo de vida.

Observando o Espírito Santo, o panorama ganha uma lógica complementar. Embora o estudo de 2025 não detalhe informações por estado, ele reafirma o Sudeste como uma das regiões de maior consumo do país. E essa posição de destaque não é nova. Em uma pesquisa anterior, publicada em 2018 pela Ideal Consultoria, o Sudeste já era um grande consumidor, e o Espírito Santo foi identificado como a unidade da federação com maior consumo por pessoa, atingindo 6,2 litros por habitante ao ano – um número que supera até o do Rio Grande do Sul, região tradicionalmente vinícola.
Essa combinação entre um passado de alto consumo e o novo comportamento indicado pela pesquisa recente sugere que o Espírito Santo está em sintonia com a mudança que ocorre no mercado nacional. O consumidor capixaba, situado em uma região urbana com cena gastronômica em ascensão e maior acesso a informações, segue a tendência de valorizar o vinho brasileiro e de incluir a bebida na rotina.
Desafios e oportunidades
A análise também destaca obstáculos. O preço permanece como o fator principal na hora da compra e uma das maiores barreiras para quem bebe menos vinho. Alguns participantes disseram que consumiriam mais se os preços fossem menores. Além disso, persiste a ideia de que os vinhos importados, principalmente do Chile e da Argentina, têm qualidade superior, embora essa distinção esteja se reduzindo entre os consumidores mais jovens.
Vale mencionar que o Espírito Santo também vem ganhando reconhecimento como região produtora, contando com vinícolas já estabelecidas na área serrana.

As informações revelam um mercado em amadurecimento. O vinho brasileiro avança, o consumidor se torna mais habitual e o Sudeste segue como uma força central nesse processo. Para o Espírito Santo, que já se destacava nos levantamentos desde 2018, o momento atual confirma uma tendência que vai além dos números: o vinho está se incorporando progressivamente ao modo de vida local.
Além de observar estatísticas, é válido prestar atenção ao que está no copo. A ascensão do vinho brasileiro não se limita aos estudos, mas se reflete nas decisões cotidianas. Provar novos rótulos, descobrir produtores locais e ampliar o conhecimento também significa fazer parte dessa mudança. O capixaba já mostrou que gosta de vinho. Talvez seja a hora de degustar mais, comparar mais e celebrar com clareza o que é produzido em solo nacional.






