No Espírito Santo, cerca de 188,6 mil profissionais ganham a vida na economia criativa, o que representa 9,25% da força de trabalho do estado.
A informação, divulgada pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), refere-se ao terceiro trimestre do ano passado.
Os segmentos considerados criativos abrangem áreas como cultura, gastronomia, mídia, tecnologia e criações funcionais, como arquitetura, design e publicidade.
Segundo o estudo do IJSN, a remuneração média real nesse setor foi de R$ 3.550 no terceiro trimestre de 2025, com um crescimento de 1,3% em relação ao trimestre anterior.
Karina Ruiz e Victor Toscano, pesquisadores do Hub ES+ Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI) e do Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (Funcitec), destacam que o segmento deu um salto expressivo na última década.
Cristiane Ferrari é um exemplo de profissional dessa área. Ela encontrou na confecção de chinelos personalizados uma forma de terapia para superar o trauma de ter sobrevivido a uma tentativa de feminicídio. Durante a alta temporada de verão, seu faturamento pode chegar a valores entre R$ 7 mil e R$ 10 mil.
A indústria de jogos digitais também faz parte da economia criativa. Marcelo Herzog, um dos fundadores da Mito Games, conta que a empresa começou com jogos educativos e corporativos. Atualmente, a desenvolvedora de títulos como “Tupi: A Lenda de Arariboia” prepara a portabilidade de seus jogos para as lojas da PlayStation, Nintendo e Xbox.
Para que o setor continue a se expandir, é fundamental o apoio não apenas do governo estadual, mas também das grandes empresas que atuam no Espírito Santo, por meio de mecanismos como leis de incentivo à cultura, a exemplo da Lei Rouanet.
Wesley Tales, diretor geral da WB Produções, compartilha da visão de que é necessária uma participação mais ativa do setor privado. Ele afirma que investir em cultura significa investir em pessoas, desenvolvimento e legado, e que o Estado tem cumprido seu papel, mas a iniciativa privada não pode ficar de fora.
A artista plástica Kênia Lyra começou seu negócio, a Bacutias, após sentir a necessidade de reformar cadeiras de praia antigas para decorar sua sala. A empresa, que surgiu em 2020 com encomendas de conhecidos, hoje vende uma média de 80 cadeiras personalizadas por mês através de seu site, com diversos modelos disponíveis.
Iniciativas Digitais no Setor
Flávio Trevezani e Patricia Silveira estão entre os sócios da Porankatu, um aplicativo criado para promover e facilitar a descoberta de opções de lazer. A proposta da plataforma é permitir que estabelecimentos, promotores de eventos e profissionais dos segmentos de entretenimento, turismo, gastronomia, esporte e lazer divulguem gratuitamente sua programação, serviços e promoções, sem a concorrência por atenção comum nas redes sociais.
Panorama da Economia Criativa
O rendimento médio de um profissional da economia criativa no estado é de R$ 3.550,47. Esse valor supera a média salarial das atividades não criativas, que é de R$ 3.283,74 mensais, conforme dados do IJSN para o terceiro trimestre de 2025.
Esse setor da economia abrange a intersecção entre criatividade, cultura, tecnologia e negócios, valorizando a inovação e expressões artísticas em campos como moda, design, artesanato, mídia digital, audiovisual e gastronomia. Globalmente, ele responde por 6,2% dos empregos e contribui com 3,1% do PIB mundial, segundo a ONU.
A maioria dos trabalhadores, 66,71%, possui vínculo formal de emprego, recebendo em média R$ 3.889 por mês. Profissionais com vínculos informais têm uma remuneração média mensal de R$ 2.843.
Expansão e Características da Mão de Obra
Na última década, o número de trabalhadores na economia criativa capixaba cresceu mais de 33%, impulsionado principalmente pela expansão dos profissionais autônomos e do segmento de empregadores. A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) atribui parte desse crescimento à consolidação de editais culturais voltados para o setor, além da digitalização e da mudança no perfil do mercado de trabalho para atividades mais empreendedoras.
Em relação à escolaridade, entre os 188,6 mil trabalhadores do setor no estado:
- 33,66% possuem ensino médio completo
- 29,21% têm ensino superior completo
- 13,91% têm ensino fundamental incompleto
- 8,39% têm ensino superior incompleto
- 7,64% têm ensino médio incompleto
- 6,37% têm ensino fundamental completo
- 0,83% não iniciaram o ensino fundamental
O levantamento do IJSN também mostra uma correlação direta entre escolaridade e rendimento. Profissionais com diploma de ensino superior completo ganham, em média, R$ 6.334 mensais, enquanto aqueles com apenas o ensino médio completo recebem cerca de R$ 2.655.







