Brincar sozinho reduz tempo de tela infantil

A parentalidade é algo especial, no entanto, o dia a dia pode ser cansativo. A rotina intensa começa cedo: acordar os filhos, preparar o café, levar até a escola e, em seguida, ir para o trabalho. Durante a noite, a lista de tarefas continua e quase não sobra tempo para aproveitar a própria companhia. 

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É nesse momento que celulares e tablets surgem como uma solução rápida para alguns minutos de descanso. Eles não precisam ser tratados como vilões na criação dos filhos, mas o problema começa quando se tornam a única opção de entretenimento.

A educadora parental e autora do livro “Me escuta?: Porque toda criança deve ser escutada”, Thelma Nascimento, explica que o excesso de telas pode impactar em diversos aspectos da infância, tanto sociais quanto emocionais.

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“No começo, a gente percebe mais irritação e dificuldade de parar. Com o tempo, a dependência pode aparecer como uma forma de regulação. Já no longo prazo, isso costuma afetar a maneira como eles lidam com frustrações, se relacionam e até com o próprio corpo.”

Autonomia também se aprende brincando

Os pais precisam se acolher – e sem culpa. A sobrecarga física e mental faz parte de muitas famílias e deve estar na equação. Por isso, o caminho pode ser equilibrar essa conta com atividades manuais que a criança consiga realizar com mais autonomia. 

Thelma explica que não é sobre deixar a criança sozinha, mas ensiná-la a estar consigo mesma. Eles precisam de espaço para brincar de maneira livre, usar a imaginação e se entediar porque isso:

  • Desenvolve autonomia;
  • Ensina a lidar com frustração;
  • Exercita criatividade;
  • Ajuda na escuta do próprio mundo interno;
  • Favorece a conexão consigo mesma.

“Sua criança não precisa que você a entretenha o tempo todo. Ela também precisa de espaço para sentir quem ela é. E de um adulto por perto que sustente esse espaço com segurança. Porque a autonomia se constrói assim. De dentro para fora.”

Ao romantizar a presença constante, a sociedade constrói uma ideia idealizada de parentalidade que, muitas vezes, gera esgotamento. “Não se trata de estar o tempo todo mas, quando estiver, estar de verdade. Momentos curtos, mas inteiros, têm muito mais impacto do que horas de uma presença distraída.

Pequenas mudanças na rotina

O primeiro passo é embarcar nesse processo junto com os filhos e determinar regras para todos da casa. “Se o adulto pede para desligar o celular, mas está sempre utilizando, a mensagem que chega não é o que ele fala, mas o que faz. Temos todos que dar as mãos, afinal, estamos juntos aprendendo a navegar a era digital.” 

Além disso, algumas técnicas podem ajudar nessa jornada:

  • Criar ambientes com alternativas visíveis: deixar jogos, livros e outras atividades acessíveis ajuda a estimular a curiosidade sem depender das telas;
  • Estabelecer limites claros para o uso de aparelhos eletrônicos: os limites são importantes, mas precisam vir acompanhados de explicação para que façam sentido;
  • Não deixar a tela visível o tempo todo: quando a tela está sempre por perto, ela vira a primeira opção;
  • Entender que pode haver tristeza ou raiva: esse também é um momento para ensinar a lidar com sentimentos desconfortáveis de forma respeitosa;
  • Comece com pouco tempo (10–15 minutos): períodos curtos ajudam a se sentir capaz. A autonomia se constrói aos poucos, não de uma vez;
  • Esteja por perto: brincar sozinho fica mais fácil quando existe a segurança de que há um adulto por perto, disponível se for preciso;
  • Não interrompa o fluxo: quando alguém interfere, o raciocínio pode se perder. É justamente nesse momento que a criatividade começa a aparecer;
  • Não corrija: porque deixa de ser criação e uma vira tentativa de acertar.

Atividades que fazem sucesso

Elas criam um espaço para sentir e simplesmente ser, enquanto estimulam habilidades motoras e ajudam a construir um repertório social. A especialista sugere algumas possibilidades, mas reforça a importância de conhecer cada criança e respeitar seus interesses. E, quanto mais simples, melhor:

De 0 a 2 anos: nesta fase, um adulto deve estar por perto. Valem cestos de tesouros com objetos da casa, espelho, texturas diferentes e objetos simples que não tenham estímulo excessivo;

De 3 a 5 anos, a imaginação ganhar força: boas opções são caixa sensorial (arroz, água, feijão), massinha, levar objetos de um cômodo para outro, desenho livre e mexer com elementos da natureza, como água, grama, gravetos, pedras e folhas;

A partir de 4 anos, começa a nascer o mundo interno e as brincadeiras ficam mais simbólicas: entram o faz de conta, construções com caixas e sucatas, histórias inventadas, desenhar criando personagens e caça ao tesouro, do mais simples ao mais complexo.

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