A internet, impulsionada pela inteligência artificial, cresce de forma acelerada. A hiperconectividade oferece novas oportunidades, mas também estabelece barreiras.
Isso acontece porque a abundância de informações direciona nosso foco para fora, nos distanciando com frequência do nosso universo interior. Fica mais difícil, assim, entrar em contato com as sensações que experimentamos no momento atual.
Por esse ângulo, a hiperconectividade e a saturação de informações podem criar um estado interno de confusão. Esse processo desestrutura nossa essência e prejudica os laços significativos que formam nossa identidade, trazendo consequências.
O indivíduo pode acumular inquietações que nem sempre consegue identificar e aspirações que não se concretizam. As opções externas são infinitas, mas as chances reais de realização são limitadas. Esse cenário pode gerar frustrações e diminuir a percepção que temos de nós mesmos.
Por isso, é crucial observar como estamos vivenciando o presente, para não perdermos o domínio sobre quem somos. Quando priorizamos o ambiente externo em detrimento do interno, nos afastamos da nossa própria subjetividade, o que pode originar uma sensação de vazio e falta de rumo.
O Papel da Ciência do Sentir
É nesse contexto que surge a chamada Ciência do Sentir, que enxerga o Eu como uma construção formada por padrões que emergem das nossas trocas constantes com o entorno. Essa área nos incentiva a olhar para dentro, desenvolvendo a habilidade de unir o raciocínio lógico ao cultivo da autocompaixão.
Muito se fala sobre empatia com os outros, mas pouco sobre a autoempatia: a competência de habitar o próprio espaço interno, identificar e aceitar as próprias emoções, entender necessidades e criar um vínculo íntimo e fortalecedor consigo mesmo.
A verdade é que precisamos ouvir a nós mesmos e respeitar a condição humana, abandonando o ideal robótico que a sociedade atual tenta impor. Isso não significa recusar a tecnologia, que é útil e traz progressos notáveis, mas sim assumir as rédeas diante dela, em vez de deixar que ela defina nossa forma de existir.
A Coragem de Viver o Agora
No entanto, experienciar o presente é um ato de coragem. Significa encarar a si próprio, admitindo o que se sente, o que se deseja e o que precisa ser mudado internamente.
Quem fica estagnado no passado, focado apenas no futuro ou existindo para o exterior, ignorando o que vive e sente no agora, acaba se negligenciando. No fim das contas, tudo o que genuinamente temos de nós reside no presente, no instante do Agora.
*Beatriz Breves é psicóloga, psicanalista, bacharel e licenciada em Física, autora do livro Eu fractal – conhece-te a ti mesmo: uma perspectiva do eu no campo da psicofísica contemporânea







