Os ministérios do Esporte e das Mulheres emitiram uma nota conjunta no domingo, classificando como inaceitável o ato de desrespeito profissional e machismo sofrido pela árbitra Daiane Muniz. A profissional foi alvo de comentários misóginos proferidos pelo zagueiro do Red Bull Bragantino, Gustavo Marques. Após a eliminação de sua equipe nas quartas de final do campeonato paulista, com uma derrota por 2 a 1 para o São Paulo no sábado, o atleta afirmou que a Federação Paulista de Futebol não deveria designar uma mulher para arbitrar uma partida de tal magnitude.
No documento, as pastas expressam veemente repúdio às falas do defensor e estendem solidariedade à árbitra Daiane Muniz, bem como a todas as mulheres que atuam no futebol em diversas funções. “Daiane Muniz é uma árbitra altamente qualificada, credenciada pela FPF, CBF e FIFA. Um homem na mesma posição nunca teria sua capacidade questionada simplesmente por ser homem. Mesmo que houvesse críticas à sua atuação, sua competência não seria posta em dúvida por seu gênero. Este é o cerne da questão que precisa ser combatido”, destacaram os ministérios.
O respeito às mulheres não é negociável. As mulheres devem ocupar todos os espaços que desejarem, seja em campo, na arbitragem, na administração, na mídia ou em qualquer outra área. Ser mulher não reduz competência, autoridade ou habilidade.
Segundo o próprio jogador, sua esposa e irmã reagiram com rigor ao comportamento machista, o que o levou a se desculpar ainda na área mista do estádio. A diretoria do Red Bull Bragantino e a FPF também se pronunciaram para condenar as declarações.
A Federação ressaltou que possui 36 árbitras em seu quadro e que atua para ampliar esse número. Além disso, comunicou que o caso será encaminhado à Justiça Desportiva para que as medidas cabíveis sejam aplicadas.
Os dois ministérios já haviam se manifestado anteriormente para repudiar uma homenagem realizada por jogadores do Vasco da Gama do Acre a três atletas do time, presos sob acusação de estupro coletivo contra duas mulheres no alojamento do clube.
O fato ocorreu na quinta-feira, antes do jogo contra o Velo Clube, pela primeira fase da Copa do Brasil. Na foto oficial da equipe, atletas exibiram as camisas dos colegas detidos em um gesto de apoio. A partida também representou a estreia pelo time do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio.
“É inadmissível que o esporte, ambiente de formação e inspiração para os jovens, seja usado para normalizar ou relativizar a violência contra a mulher”, declararam os ministérios do Esporte e das Mulheres.
Período marcado por agressões racistas e machistas
A semana também registrou outro incidente de grande impacto, que motivou um pronunciamento do Governo brasileiro. Na terça-feira, o atacante Vini Jr., do Real Madrid, foi alvo de uma agressão racista pelo atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica. O episódio, que se seguiu a um gol marcado por Vini contra o clube português durante uma partida válida pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, resultou na interrupção do jogo por onze minutos para a aplicação do protocolo antirracismo.
“Os ministérios da Igualdade Racial e do Esporte reconhecem a relevância da ativação do protocolo antirracismo durante a partida e enfatizam a abertura de investigação anunciada pela UEFA. O governo brasileiro monitorará de perto a apuração dos fatos, esperando que sejam tomadas providências rigorosas para responsabilizar os envolvidos e evitar novas ocorrências”.
Em 2025, o Ministério da Igualdade Racial e o Ministério do Esporte assinaram um protocolo de intenções para reforçar o combate ao racismo, por meio de iniciativas de conscientização, capacitação e monitoramento da discriminação racial no meio esportivo.






