A segunda etapa da Copa do Brasil de 2026 começou com um número inédito de 126 clubes, 34 a mais que na edição anterior, e prêmios que se aproximam de meio bilhão de reais. Essas mudanças são consequência direta das alterações no regulamento, que prevê a adição de duas novas fases ao torneio.
Antes, times com vaga garantida na Libertadores, campeões nacionais das Séries B, C e D e vencedores de copas estaduais ingressavam diretamente na Terceira Fase. O novo formato estabelece que a entrada dos participantes ocorre de forma escalonada entre a Segunda e a Quinta Fase, esta última sendo a etapa imediatamente anterior às Oitavas de Final, quando os 20 clubes da Série A começam sua participação.
“A Copa do Brasil se transformou em um dos ativos mais valiosos do calendário futebolístico nacional. Os recursos que ela injeta reforçam o caixa dos clubes, elevam a competitividade e abrem caminho para que equipes de diversas divisões possam estruturar seus projetos esportivos ao longo do ano. As modificações no formato e o empenho da CBF em valorizar o produto anualmente conferem ainda mais peso esportivo e financeiro à competição, aprimorando seu nível dentro e fora dos gramados”, declarou Alexandre Frota, CEO da Futpro Expo, evento pioneiro de negócios no futebol que será realizado entre 7 e 9 de maio, em Fortaleza.
Outra novidade é a extensão dos duelos em jogo único, antes limitados às duas fases iniciais, que agora valem até a Quarta Fase. Os confrontos com partidas de ida e volta acontecem da Quinta Fase até as semifinais. Pela primeira vez desde sua criação, em 1989, a grande final será disputada em uma única partida, em local a ser determinado pela CBF.
Esse aspecto contribui para uma maior democratização da competição. O estado com maior número de representantes é São Paulo, com 13 equipes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 10. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná possuem 7 clubes cada; Santa Catarina, Bahia e Pará têm 6; Ceará, Goiás, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso, Amazonas e Sergipe contam com 4. Rio Grande do Norte, Maranhão, Paraná, Distrito Federal, Piauí, Espírito Santo, Acre, Mato Grosso do Sul, Roraima, Rondônia, Amapá e Tocantins estão representados por 3 clubes cada.
“Este torneio tem uma importância fundamental para o Juventude, não só pelo lado esportivo, mas principalmente pelo que significa em termos de sustentabilidade e crescimento institucional. É uma competição que movimenta valores expressivos desde os primeiros confrontos, oferece visibilidade nacional, fortalece nossa marca e gera novas oportunidades comerciais. Cada vitória representa um aumento direto na receita, melhora no fluxo de caixa e a possibilidade de reinvestir no elenco, na estrutura e nas categorias de base”, avaliou Fábio Pizzamiglio, presidente do Juventude.
Premiações podem alcançar meio bilhão de reais
A inclusão de mais clubes eleva o montante total a ser distribuído para perto de meio bilhão de reais. Contudo, as equipes da Série A devem receber valores menores em comparação a 2025, uma vez que passam a entrar apenas na Quinta Fase, deixando de acumular as premiações referentes à classificação na Terceira e Quarta Fases, como ocorria antes. O valor máximo que um clube pode acumular ao longo de toda a campanha chega a R$ 99,25 milhões, variando conforme o ponto de entrada no torneio e o desempenho até a decisão.
“Trata-se de uma competição que destinará um volume de recursos com impacto direto no equilíbrio financeiro dos clubes, ampliando sua capacidade de investimento em elenco, infraestrutura e base. A maior participação democratiza ainda mais o campeonato, enquanto a entrada dos times da Série A em fase mais adiantada e a final em jogo único trazem racionalidade ao calendário e elevam o nível de competitividade. É um modelo que fortalece o produto, valoriza o espetáculo e confere maior relevância esportiva”, afirmou o presidente do Santos, Marcelo Teixeira.
A distribuição dos valores segue a divisão por fases, mantendo a estrutura do ano passado. Os 28 clubes da Primeira Fase, que são os de pior posição no ranking da CBF, recebem R$ 400 mil cada. Na Segunda Fase, os valores sobem para R$ 1,38 milhão para equipes da Série B (Grupo I) e R$ 830 mil para clubes das Séries C, D e demais participantes (Grupo II).
“Para o Londrina, a Copa do Brasil funciona como uma vitrine nacional que amplia nossa capacidade de atrair investidores, estabelecer novas negociações e consolidar a credibilidade do projeto em construção. É uma competição que alia desempenho esportivo a estratégia de negócios: uma boa campanha fortalece laços com patrocinadores, engaja a torcida, aumenta a exposição de ativos e potencializa receitas em diversas frentes, como direitos de transmissão e mercado de atletas”, completou Armando Chekerdemian, CEO do Londrina.
Na Terceira Fase, a premiação para os times do Grupo I avança para R$ 1,53 milhão, e para o Grupo II, R$ 950 mil. Já na Quarta Fase, os números sobem para R$ 1,68 milhão e R$ 1,07 milhão, respectivamente. Apenas a partir da Quinta Fase, com a entrada dos times da Série A, os valores se igualam para todas as equipes, que passam a receber R$ 2 milhões por participação.
No Fortaleza, clube que alcançou as semifinais do torneio em 2021, a competição é vista como uma fonte relevante de receita para a temporada. É importante notar que o tricolor vem realizando uma reestruturação interna para assegurar a saúde financeira do clube – tanto que reduziu sua folha salarial de R$ 12 milhões para R$ 5 milhões entre o final de 2025 e o início de 2026 – sem, no entanto, perder competitividade em campo, promovendo a contratação do experiente técnico Tiago Carpini para comandar o grupo e anunciando outros reforços com perfil mais jovem e competitivo. O Fortaleza mantém-se invicto em 2026, com cinco vitórias e três empates em oito partidas.
Nas fases decisivas, os valores aumentam de forma expressiva, com o campeão recebendo R$ 78 milhões apenas pela final, e o vice-campeão, R$ 34 milhões.






