Equipe capixaba enfrenta favorito fora de casa e aposta em defesa forte e intensidade para surpreender no Rio
Tem estreia que é só mais um jogo. E tem estreia que parece roteiro de cinema esportivo: 12 anos depois, o Cetaf volta a disputar uma competição profissional nacional e já encara um dos favoritos ao título. Nesta terça-feira, às 20h, o time capixaba enfrenta o Fluminense Football Club, no Ginásio João Coelho Netto, no Rio de Janeiro, pela primeira rodada da Liga Ouro 2026.
Para quem gosta de esporte com emoção, está servido. Para quem gosta de drama, também. Porque voltar ao cenário nacional depois de mais de uma década é quase como reencontrar aquele crush da adolescência: a expectativa é alta, mas o nervosismo também.
A Liga Ouro é a divisão de acesso ao Novo Basquete Brasil e reúne seis equipes em 2026. Na primeira fase, todos se enfrentam em turno e returno, totalizando dez rodadas. Os dois melhores avançam direto às semifinais, enquanto terceiro a sexto disputam playoffs em séries melhor de três. A final será decidida em até cinco jogos. O Cetaf chega como azarão. Mas, como diria qualquer torcedor otimista, azarão às vezes morde.
O técnico João Victor Freitas reconhece o favoritismo tricolor. Em entrevista ao ge.globo, destacou o investimento e a qualidade individual do adversário. “O Fluminense é uma equipe que investiu bastante para essa competição. Precisamos implementar uma defesa muito forte, correr a quadra e explorar nosso vigor físico”, afirmou. Traduzindo do “técnicoês”: intensidade, transição rápida e marcação sufocante.
Além da diferença de orçamento e elenco, há o fator casa. O Ginásio João Coelho Netto é conhecido pelo ambiente próximo à quadra, o que amplifica o barulho da torcida. João Victor pontuou que a atmosfera pode ser um dificultador.
“Deve estar com capacidade máxima de público. Teremos uma atmosfera desfavorável”, disse o treinador.
No basquete, detalhes contam. Uma bola de três no estouro do cronômetro, um rebote ofensivo inesperado ou aquela roubada de bola salvadora podem mudar a narrativa. E é justamente nessa margem fina que o Cetaf aposta.
Sem o mesmo poder de investimento, o time capixaba construiu sua preparação baseada em intensidade e disciplina tática. A delegação chegou ao Rio com antecedência e realizou dois treinos no local da partida para reconhecimento de quadra e ajustes finais.
Especialistas costumam afirmar que equipes emergentes compensam diferenças técnicas com organização defensiva e transições rápidas. É a lógica do coletivo sobre o individual. E, em campeonatos curtos como a Liga Ouro, começar pontuando pode fazer enorme diferença na classificação.
Enquanto isso, a rodada inaugural ainda terá Brusque x Contagem/América MG e Joaçaba x Tatuí, completando o início da competição.
Para o basquete capixaba, o retorno do Cetaf representa mais do que um confronto. É um sinal de retomada do protagonismo estadual no cenário nacional. Depois de anos fora das principais competições, o Espírito Santo volta a figurar em uma liga profissional estruturada.
Se vai vencer? O placar dirá. Mas já há algo simbólico acontecendo: o Cetaf voltou. E, no esporte, voltar já é metade da batalha.
Talvez a vitória venha na estreia. Talvez venha depois. Mas o importante é que a bola sobe às 20h e, com ela, sobe também a expectativa de um estado inteiro que quer ver o basquete capixaba novamente competitivo. Porque todo bom roteiro começa com um desafio aparentemente impossível.
Serviço
Liga Ouro 2026 – Primeira rodada
Jogo: Cetaf x Fluminense
Data: Terça-feira
Horário: 20h (de Brasília)
Local: Ginásio João Coelho Netto, Rio de Janeiro
Transmissão: Informações nos canais oficiais da Liga Ouro






