O segundo torneio do Grand Slam do tênis de 2023, disputado em Paris, terá uma ausência importante e inusitada: Rafael Nadal. O espanhol foi o vencedor de catorze das últimas dezoito edições do torneio, mas não jogará em virtude de uma lesão. Nadal, além de ser o recordista de vitórias no saibro francês, é o maior vencedor de torneios neste tipo de piso, somando sessenta e três títulos.
A ausência dele abre possibilidades para os outros competidores, tanto para especialistas em saibro, quanto para novos tenistas que têm surgido com bons resultados neste ano.
Entre os especialistas em saibro, surgem nomes como o Casper Rudd, que já fez final em Roland Garros contra o próprio Nadal em 2022 e o grego Stefanos Tsisipas que, embora não seja tão efetivo no saibro como Rudd, também já fez final no saibro francês em 2021, contra Novak Djokovic. E, claro, há o próprio Djokovic, que prefere as quadras rápidas às de saibro, mas já venceu Roland Garros duas vezes e foi finalista em outras três edições.
Outros especialistas em saibro parecem estar mais distantes de vencer em Paris, como o austríaco Dominic Thiem, que já fez final em Roland Garros, mas enfrenta uma fase de baixa em sua confiança e em sua efetividade nas quadras. Stan Wawrinka, que venceu o torneio em 2015 não parece ter “gás” para uma segunda conquista, e Fabio Fognini, outro especialista, parece carecer da regularidade que um Grand Slam exige.
Provavelmente, alguns tenistas mais novos sejam os melhores candidatos para desafiar aos especialistas e aos vencedores em Paris. As recentes performances de tenistas como Daniil Medvedev, vencedor no saibro de Roma (ele já afirmou que não gosta desse tipo de piso, mas parece ter encontrado a paciência que é indispensável nas trocas de bolas longas), e de seu compatriota Andrey Rublev (venceu no saibro lento de Monte Carlo em 2023) sugerem que as possibilidades são boas em Paris.
Entretanto, é o desempenho de alguns tenistas ainda mais jovens que pode ser o diferencial. Refiro-me ao dinamarquês Holger Rune, ao espanhol Carlos Alcaraz e aos italianos Jannik Sinner e Lorenzo Musetti.

Rune fez a final de Roma contra Medvedev, depois de vencer Djokovic nas quartas de final e Rudd na semifinal. Também fez final no saibro de Monte Carlo contra Rublev. Além disso, dois de seus quatro títulos são no saibro, em Munique 2022 e 2023. É um jogador bem jovem, de vinte anos, mas já demonstrou maturidade para vitórias maiores. Contra ele pesa o fato de ser visto como um “resmungão” ou um “cry baby”, não lidando bem com as derrotas.

Alcaraz, que voltou a ser número um do ranking em Roma, mesmo sem avançar na chave (foi derrotado pelo húngaro Fabian Marozsan na segunda rodada), é um candidato natural, seja por seus excelentes resultados no saibro, seja pela resiliência que apresenta em todos os jogos. De seus dez títulos, sete foram conquistados no saibro. Também é jovem, vinte anos, mas conta com a experiência de já ter vencido um Grand Slam (US Open de 2022 em quadra rápida), sabendo lidar com jogos em melhor de cinco sets. Sua entrega aos jogos, que exige do físico ao extremo, pode ser um impeditivo, entretanto, sua juventude parece compensar o desgaste. Pelo menos por enquanto.

Sinner, um dos tenistas mais regulares do circuito, também pode surpreender em Paris. Apesar da maioria de seus títulos serem em quadras rápidas, já venceu no saibro (Umag, em 2022) e tem demonstrado maturidade acima da média para um tenista de vinte e um anos. Se estiver com o preparo físico em dia, pode ir longe na chave de Roland Garros.
Musetti, que pode ser considerado um especialista em saibro, também é jovem, vinte e um anos, e já demonstrou capacidade de vencer no saibro. Além de ter vencido dois sets contra Djokovic em Roland Garros 2021, venceu o sérvio este ano na terceira rodada em Monte Carlo.
Em suma, com a ausência de Nadal, Roland Garros está em aberto. Quem são os seus favoritos? Será que vai surgir algum azarão? Pessoalmente, torço para que um dos novos tenistas seja o vencedor. O tênis está precisando.







