Quem assiste a um jogo de tênis na televisão, em quadras espetaculares e em lugares deslumbrantes do planeta, não tem ideia da dificuldade que é a vida de um ou uma tenista. Há uma série de problemas com os quais todo tenista tem de lidar. Senão vejamos.
Primeiro, há os deslocamentos de uma cidade a outra, com viagens semanais e que podem ser bem mais complicadas do que parecem. Lembre-se que os tenistas carregam bastante bagagem, com suas roupas, raquetes e outros equipamentos. Além disso, a maioria deles não tem condições financeiras para se dar ao luxo de viagens fretadas ou, em alguns casos, sequer voarem para outros destinos. Sobretudo no circuito europeu, é muito comum a viagem de trem, mesmo quando se trata de ir para uma cidade de outro país.
Voos fretados e viagens de primeira classe são quase sempre reservadas aos tenistas que ocupam os primeiros lugares no ranking mundial, e já são milionários por seus resultados, seja em premiação, seja em patrocínio. Entre os tenistas menos ranqueados, isso é impossível. Há diversas histórias de tenistas que chegaram a dormir em aeroportos por não terem dinheiro para pagar o hotel, em torneios menores, que não oferecem estadia aos tenistas.
Outra dificuldade inerente à carreira de tenista é a necessidade constante de treinos. É preciso cuidar do físico, porque o circuito é muito competitivo e exige um preparo extremo. O tênis é um esporte de repetição e, por conta disso, exige do tenista um tempo de quadra bastante grande, mesmo para aqueles que já tem os seus golpes bem desenvolvidos. Junte-se a isso a necessidade de enfrentar adversários que usam táticas diferentes em seus jogos, e os treinos se tornam ainda mais exigentes como preparação.

Uma dificuldade adicional e tão problemática quanto as anteriores é a preparação mental. Há uma frase atribuída a Guillermo Vilas, tenista argentino de muito sucesso e ganhador de grandes torneios, que diz que o tênis é 1% técnica, 1% preparo físico e 98% cabeça. Se você olhar para os primeiros duzentos ranqueados na ATP (Associação de Tenistas Profissionais) ou na WTA (Associação de Tenistas Mulheres), vai perceber que todos são bem condicionados fisicamente, todos são tenistas avançados na técnica, mas há um abismo entre a preparação mental de um top 10 e um ranqueado em 150º. A mentalidade para lidar com a pressão é uma qualidade comumente encontrada nos melhores ranqueados.
Aliada à dificuldade da preparação mental, há também os confrontos diretos. O chamado “head to head” contra adversários que são enfrentados com frequência, às vezes desde a época de juvenil. É sempre um problema quando um tenista entra em quadra para enfrentar um adversário e o head to head é muito favorável ao outro. Apesar de poder servir de estímulo para quebrar a série de derrotas, durante o jogo o peso das derrotas anteriores é algo com que se tem de lidar. Imagine entrar em quadra contra alguém que você perdeu quinze dos últimos quinze jogos! O primeiro pensamento é: rumo à derrota 16!
Mas imagine que um tenista soube lidar com tudo isso e está sendo bem sucedido. Agora, surge uma nova dificuldade com a qual ele não tinha de lidar antes: a manutenção do ranking. O tenista elabora o seu calendário, participa dos torneios, viajando, treinando, se preparando e, em alguns casos, consegue ser vencedor, ou pelo menos chegar às semifinais ou final de alguns torneios. Com isso, soma pontos no ranking e vai melhorando sua colocação, o que é determinante para participar de torneios maiores, com premiações melhores e, claro, mais exigentes ainda pela presença de jogadores melhor ranqueados.
Quando chega o final do ano, aquele tenista que teve desempenho positivo contabiliza sua escalada: saiu de 89º do ranking para 46º! Que maravilha. Vai poder participar de torneios grandes sem ter de passar pelo qualificatório.
Aí começa um dos seus maiores problemas: no ano seguinte, ele tem de defender todos aqueles pontos que ganhou para se manter na mesma posição no ranking! Uma derrota inesperada em algum torneio em que teve bom desempenho no ano anterior, e o ranking pode despencar… A pressão agora não é só por vitórias, mas para se manter no ranking e, se possível, subir ainda mais.
Tudo isso, sem esquecer que as centenas de outros jogadores, tão treinados e preparados quando aquele tenista, estão buscando o mesmo objetivo dele. Haja pressão. Haja dificuldade.
Bem-vindo à rotina (nada tranquila) de um tenista profissional.







