Jogador que ficou cego após agressão lamenta fim da carreira: “Meu sonho de jogar futebol acabou”

Já faz quase um mês que o atacante do Atlético de Itapemirim Erick Moreira Caetano, mais conhecido como Chiquinho, de 27 anos, viveu o maior drama de sua vida e teve o sonho de continuar jogando futebol interrompido. Na noite do dia 24 de agosto, Chiquinho acabou ficando cego do olho direito após ser agredido pelo companheiro de clube, o goleiro Rodrigo Souza dos Santos, chamado de Bambu, que, após uma discussão no bar do Estádio José Olívio Soares, em Cachoeiro do Itapemirim, o atingiu no rosto com um copo de vidro.

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Após passar por algumas cirurgias, três dias depois Chiquinho recebeu a notícia de que havia perdido a visão do olho direito. Hoje ele conta como sua vida mudou depois desse triste episódio, da dor de ver a filha e a mãe sofrendo e de não poder mais entrar em campo para fazer o que ama.

“Não vou mais ter a sensação de vestir a camisa de um grande clube, de fazer gols, de dar assistência para meus companheiros e nem de ouvir a torcida gritar meu nome. Nunca mais vou sentir isso. O sonho de jogar futebol acabou”, lamenta Chiquinho, bastante emocionado.

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Chiquinho disse que sua vida mudou radicalmente e que, apesar de contar com apoio de amigos, a dor de não poder enxergar é gigante. “Sempre fui um cara muito ativo. Agora as coisas são diferentes. Passo o dia no quarto, de olhos fechados. Graças a Deus tenho recebido visita de amigos. A gente conversa, mas, mesmo assim, me pego sozinho, pensando no que aconteceu e porque aconteceu”, recorda ele, que vai além.

“Meu olho direito apagou e a medicina não tem um prognóstico para reverter essa situação. A situação do olho esquerdo também é muito grave. Fui ao médico há duas semanas e ele disse que preciso tomar todo cuidado do mundo para não furar minha retina. O grau está horrível. Não dá para enxergar praticamente nada. Minha luta agora é voltar a enxergar. Caso não melhore, talvez eu tenha que fazer transplante de córnea”.

Por conta disso, ele conta que tem dificuldade para fazer tarefas que antes eram simples. “As pessoas não têm ideia de quanto minha vista está embaçada. As vezes eu não consigo achar meu celular. É um processo lento. Fico me questionando se vou ou não conseguir”.

Filha

Outro golpe duro para Chiquinho é notar a reação da filha diante de seu novo quadro de saúde. “Tem momento que fico bem, outro fico triste. Minha família está dando apoio e existem pessoas se mobilizando para me ajudar. Estou tentando ganhar força para poder me recuperar o mais rápido possível, mas saber que minha mãe chora o tempo todo e perceber que minha filha está com medo me derruba”, diz ele com a voz embargada.

Momento da agressão

Chiquinho também falou do episódio envolvendo a agressão de Bambu. Segundo ele, havia pegado dinheiro emprestado com o goleiro na segunda-feira, dois dias antes da confusão.

“Peguei dinheiro emprestado com ele para pagar na outra segunda-feira. Estava jantando e depois fui embora. Assim que cheguei em casa, comentaram que eu estava devendo ao Bambu. Ele falou para todo mundo. Fui dormir de boa. Na quarta-feira lembrei e fui falar com ele sobre isso. Começamos a jogar sinuca apostado. Ele disse que se eu ganhasse não precisaria pagar. Mas eu perdi e paguei na hora. Aí ele começou a zombar de mim. Eu estava com uma caneca de cerveja e joguei nele, mas passou longe”, conta Chiquinho, que continuou:

“O Bambu então levantou e veio em minha direção. Bismarque entrou na frente e quando fui olhar onde o Bambu estava, ele bateu com o copo de vidro na minha cara. No momento achei que tinha sido atingido por um taco de sinuca e que tinha aberto minha testa, pois jorrou muito sangue. Então ouvi: ‘o que eu fiz com Chiquinho’. Na mesma hora minha vista direita apagou. Fui socorrido e falaram que tinha caco de vidro no meu olho. Fiquei desesperado e comecei a gritar. A partir daí tudo mudou e não tive mais contato com o Bambu. Ele nunca mais me procurou, nem para se desculpar. Nunca imaginei que ele pudesse fazer isso comigo. Não sei o que passou na cabeça dele”.

Bambu

Perguntando se perdoaria Bambu, Chiquinho respondeu: “(Silêncio)…É difícil…Tem hora que estou com o coração mais limpo e acredito que já o perdoei. Deus me ensinou que perdoar faz parte. Mas não sei se conseguiria falar com ele agora”.

Vaquinha virtual

Chiquinho fez uma vaquinha virtual para levantar dinheiro e também conseguiu ajuda de várias pessoas com cestas-básicas. “Tenho recebido apoio de muita gente e também do clube. Mas estou preocupado com o futuro, pois além de ajudar a minha mãe, tenho uma filha de 9 anos para sustentar. Ainda não sei como será daqui para frente”, finalizou.

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