A cidade de Viana deu início a um projeto que inclui cooperativismo e educação financeira na grade curricular das escolas, com o objetivo de promover uma formação cidadã e o desenvolvimento integral dos alunos. Um Acordo de Cooperação Técnica entre a prefeitura e o Sicredi viabilizará as iniciativas Cooperativas Escolares e Jornada de Educação Financeira, alcançando mais de 1.400 estudantes do primeiro ao nono ano do Ensino Fundamental em oito escolas municipais.
A ação integra uma abordagem pedagógica que alia cooperativismo, educação financeira e o desenvolvimento de competências socioemocionais, seguindo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.
Segundo a administração municipal, o propósito central é estimular desde cedo capacidades como autonomia, responsabilidade, tomada de decisão e engajamento coletivo, conectando a realidade escolar a práticas de organização social e econômica.
Funcionamento das Cooperativas Escolares
As cooperativas escolares serão associações voluntárias e sem fins lucrativos, com atividades no contraturno. Os alunos participarão ativamente da fundação, administração e operação, escolhendo seus líderes, decidindo sobre iniciativas e gerenciando materiais educativos. Esse formato incentiva o protagonismo juvenil e introduz noções de gestão democrática, planejamento financeiro e economia colaborativa.
Conforme explicou a secretária municipal de Educação, Angela Cavati, o projeto terá acompanhamento por meio de indicadores pedagógicos e sociais, focando no crescimento integral dos estudantes.
“A intenção é realizar uma avaliação alinhada às competências gerais da BNCC, observando aspectos cognitivos, socioemocionais e éticos da aprendizagem. Isso inclui alunos de zonas rurais, urbanas, do assentamento do MST e da comunidade quilombola, garantindo os princípios de inclusão e antirracismo”, afirmou.
De acordo com ela, a análise considerará indicadores objetivos e qualitativos. “Serão usados parâmetros de aprendizagem em matemática, como resolução de problemas e raciocínio lógico, e em Língua Portuguesa, com ênfase em argumentação e produção textual, além do domínio da educação financeira. Também avaliaremos habilidades como cooperação, empatia, responsabilidade e cidadania, assim como indicadores de permanência e participação, como frequência, protagonismo dos alunos e redução do abandono escolar”, ressaltou.
Integração ao Currículo e Escolas Piloto
A educação financeira será inserida no currículo regular como tema transversal, não como ação isolada. “Ela será integrada à matemática, com tópicos como porcentagem, planejamento e interpretação de dados, e à Língua Portuguesa, por meio de leitura crítica, argumentação e produção de relatórios. A cooperativa escolar funcionará como ambiente pedagógico complementar, permitindo uma aprendizagem significativa através de metodologias participativas e da solução de problemas reais”, complementou Cavati.
Nesta primeira etapa, o programa será implementado como projeto piloto nas seguintes Escolas Municipais de Ensino Fundamental:
- Orestes Souto Novaes, em Jucu;
- Padre Antunes Siqueira, em Viana Sede;
- Alvimar Silva;
- Araçatiba;
- Washington Martins Filho;
- Euzélia Lyrio;
- João Paulo Sobrinho;
- Dorival Brandão.
A seleção das escolas considerou aspectos técnicos e sociais, priorizando aquelas com infraestrutura e condições pedagógicas adequadas para abrigar o projeto e com potencial de impacto em comunidades diversas. “A escolha levou em conta o comprometimento das equipes diretivas e dos professores, o perfil socioeconômico da comunidade e a significativa presença de estudantes de áreas rurais e de comunidades com maioria de população preta e parda”, detalhou a secretária.
Capacitação e Perspectivas Futuras
A preparação dos educadores é outro pilar fundamental da política. Está prevista uma capacitação continuada com foco em cooperativismo, economia solidária, educação financeira e metodologias ativas de ensino.
“A formação dos professores será estratégica para consolidar o programa como uma política pedagógica integrada ao currículo e ao desenvolvimento pleno dos alunos, com reflexos que ultrapassam os muros da escola e atingem famílias e a comunidade”, declarou.
Além dos aspectos técnicos, Cavati destacou o compromisso político e humano da gestão com a iniciativa. “Assim como o prefeito Wanderson Borghardt Bueno, todo o secretariado acredita na parceria e no cooperativismo em seu sentido verdadeiro, como um caminho para alcançar mais e ir mais longe. Como cidadã vianense dedicada, tenho orgulho do trabalho inovador que realizamos aqui. É um legado que desejo deixar à frente da Secretaria de Educação”, disse.
A ampliação do programa para outras escolas da rede municipal está planejada para 2026, mas dependerá dos resultados da fase inicial. “A expansão estará condicionada à análise dos resultados pedagógicos, ao amadurecimento da cultura de participação dos estudantes e à viabilidade pedagógica e organizacional do projeto”, concluiu a secretária.






