Para muitas mulheres do Espírito Santo, o empreendedorismo trouxe uma transformação significativa. Essa liderança feminina nos negócios e na geração de renda sustentável ganha destaque na primeira edição da feira “Mulheres de Fibras e Sementes”.
A mostra acontece no térreo da Assembleia Legislativa (Ales) e fica com entrada gratuita até sexta-feira (20), das 9h às 17h. O evento reúne artesãs que participaram de uma formação em biojoias oferecida pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Cariacica. Na Ales, a iniciativa tem o apoio da Comissão de Direitos Humanos e do mandato da deputada Camila Valadão (Psol).
Maria José Corrêa de Souza, professora do Ifes e coordenadora do projeto de extensão, explica que biojoias são peças ornamentais para o corpo, feitas de forma sustentável com matérias-primas extraídas da natureza de modo socialmente justo. Ela ressalta que, para ser considerada uma biojoia, a peça precisa ter pelo menos 70% de componentes naturais.
A educadora também mencionou que, além do ensino prático, o programa abordou outros temas, como direitos das mulheres, segurança no trabalho, cidadania, autonomia e fortalecimento feminino.
Segundo a coordenadora, o curso virou um espaço de troca e compartilhamento de experiências. Muitas dessas mulheres enfrentaram violência doméstica ou a falta de fontes de renda. A formação incentivou várias participantes a voltarem a estudar.
Ana Lúcia Gonçalves é uma das artesãs com trabalhos expostos. Moradora de Nova Brasília, em Cariacica, ela já está aposentada, mas agora usa o que aprendeu no curso para complementar a renda da família.
Depois de um acidente de carro que a fez perder a visão de um olho, Ana Lúcia encontrou no artesanato e na convivência com as colegas uma forma de superar a depressão. Apesar da deficiência visual, ela tem habilidade e sensibilidade para transformar elementos naturais, como sementes, cascas e madeiras, em acessórios únicos. Fazer colares é sua especialidade.
Empreendedorismo feminino
Essa é uma das várias ações da Assembleia Legislativa (Ales) para promover e reconhecer o empreendedorismo liderado por mulheres. Recentemente, o Parlamento estadual tem aprovado medidas importantes para fortalecer essa área.
Entre essas normas estão a Lei 12.099/2024, que criou a Política Estadual de Incentivo ao Empreendedorismo Feminino, e a Lei 12.727/2026, que instituiu a Semana Estadual do Empreendedorismo Feminino. Essas leis buscam facilitar o acesso a capacitação, crédito e oportunidades de negócio.
Vera Lúcia França, uma empreendedora conhecida, costuma apresentar seus produtos em eventos da Ales. Desta vez, ela não participou da feira, que foi reservada às alunas do curso do Ifes. No entanto, ao longo do ano, são realizadas várias edições temáticas, como as feiras do Dia das Mães e de Natal.
Formada em Artes Plásticas, Vera Lúcia descobriu na apicultura uma nova paixão. Com derivados das abelhas – como mel, própolis, geleia real, cera e pólen – ela produz itens voltados para saúde e bem-estar, incluindo sabonetes, hidratantes e pomadas para queimaduras.
Ela destacou que o empreendedorismo feminino foi essencial para dar visibilidade ao seu trabalho. O foco é a capacitação no meio rural, e as políticas públicas para mulheres têm fortalecido esse caminho.
Para Vera, empreender é uma jornada que exige coragem e persistência. Envolve desafios e conquistas, com riscos constantes, mas que não podem desanimar. O esforço, segundo ela, vale a pena.






