A G.R.E.S. Unidos de Barreiros foi fundada oficialmente em 9 de janeiro de 1972 e se tornou um dos símbolos culturais mais importantes do bairro São Cristóvão, em Vitória, no Espírito Santo. A história da agremiação, porém, começou antes mesmo de seu registro formal, brotando da vida comunitária, da ocupação dos espaços públicos e de um desejo coletivo de celebrar o samba como expressão de identidade e forma de resistência.
A origem da Unidos de Barreiros está ligada a José Coelho Damascena e Toninho Lobão, que, movidos pelo amor ao carnaval, passaram a animar as ruas do bairro à frente de um bloco. Com fantasias, animação e o apoio espontâneo dos vizinhos, o grupo foi crescendo, reunindo moradores, jovens e famílias que viam no samba um ponto de conexão e manifestação cultural.
Com o tempo, o bloco se expandiu e se firmou como tradição local. Em 1982, a Unidos de Barreiros conquistou o reconhecimento oficial como escola de samba, passando a desfilar na avenida e carregando consigo não apenas música e alegorias, mas também a narrativa de um território marcado pela coesão social e pela preservação de suas origens.
Um legado familiar e comunitário
A trajetória da escola se entrelaça com a própria história do São Cristóvão. Cada ensaio, cada ala formada e cada apresentação pública representam memórias coletivas e fortalecem o vínculo entre a agremiação e a população que a apoia. Nesse contexto, a família Damascena tem um papel fundamental. Presente desde o início, ela permanece até hoje como um pilar essencial, garantindo a continuidade de um patrimônio construído ao longo de décadas.
Sob a presidência de Jadilson Luiz Damascena, a Unidos de Barreiros mantém sua forte identidade comunitária. Para o Carnaval de 2026, a escola contará com uma Comissão de Carnaval formada por Ana Karolina, Guilherme, Emerson e Reginaldo, responsável pela criação do enredo que guiará a apresentação.
O enredo para 2026: “Baobá: A Árvore da Vida”
Com o tema “Baobá: A Árvore da Vida”, a Unidos de Barreiros propõe uma reflexão sobre a ancestralidade africana e sua influência decisiva na formação da cultura brasileira, especialmente no Nordeste. O baobá, árvore sagrada e símbolo de vida, memória e resiliência, representa a permanência das origens diante do tempo e das adversidades, estabelecendo um diálogo direto com a trajetória de povos que construíram sua história na luta, na fé e no espírito coletivo.
Ao criar uma ligação simbólica entre a África e o Nordeste brasileiro, o enredo celebra a resistência cultural, a identidade negra e o poder comunitário presentes nessas regiões. Assim como o baobá aprofunda suas raízes mesmo em solos inóspitos, o povo nordestino transforma a escassez em potência, preservando sua essência por meio da tradição oral, das práticas religiosas e dos costumes populares.
A proposta para o próximo carnaval reforça a natureza da Unidos de Barreiros: uma agremiação que nasce da comunidade, se alimenta da memória compartilhada e atravessa o tempo com solidez. Ao levar o baobá para a avenida, a escola reafirma seu compromisso de honrar as raízes, a ancestralidade e a cultura popular, mantendo viva a narrativa de um povo que desafia o tempo e floresce na união.
Sinopse
Do chão rachado onde a vida brota, veias se abrem rumo à luz. Marcas antigas contam histórias, memórias que o tempo conduz. Erguido o templo da esperança, ecoa no ar em resistência fruto que cura e ensina a cuidar. És guia… nas mãos dos orixás. Tronco imortal abriga segredos, seiva vital que ao mundo revela a força oculta assim prospera. Oh, mãe da floresta, sagrada raiz! Essência do viver que se eterniza na dança e no canto meu povo é quem diz.
Ficha Técnica
Samba-enredo: Baobá: A Árvore da Vida.
Compositores: Sergio Anderson, Junior Caprichosos, Tuninho Azevedo, Girão, Yury Freitas, Felipe Viana e Edmundo Aylor.
Sabedoria que nos faz feliz.
Detalhamento do Samba-Enredo
No Brasil confiança semeou, brota no quilombo a força sua forma de expressão. Tesouro de um solo abençoado com energia, sigo em louvação. Entre galhos e folhas o passado fala, presente escuta e não se cala. Ao sabor do vento o amor persiste, saber ancestral que aqui revive. É sombra que abraça o coração, alegria do sonhar. De vermelho e branco eu levo axé, venho de lá com samba no pé. Meu guardião… orgulho da terra inspiração é o seu esplendor. Na batida do tambor eu vou girar, chegou Barreiros! Salve Baobá!






