A assembleia convocada para discutir a revisão salarial, marcada para esta sexta-feira no Palácio Anchieta, foi transferida.
A direção do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) decidiu adiar a Assembleia Geral Extraordinária (AGE), inicialmente agendada para o dia 27. O encontro foi remarcado para o dia 9, no mesmo horário (9h30) e local. Segundo a entidade, a mudança foi necessária devido à previsão de tempestades, com o objetivo de garantir “a segurança dos policiais civis e dos cidadãos, que podem precisar da atuação da corporação por causa das condições climáticas”.
A diretoria informa que a mobilização da categoria continua e reforça o chamado para a nova data, quando os policiais vão decidir sobre os próximos passos do movimento. O impasse com o governo estadual segue em torno do reajuste salarial para o cargo de oficial investigador de polícia.
Reivindicação por recomposição salarial
Os policiais exigem a recomposição dos vencimentos após a criação da nova função, estabelecida pela Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis (Lei nº 14.735/2023). A legislação unificou as atividades antes desempenhadas por agentes, investigadores e escrivães, além de ampliar as responsabilidades. Como explica Humberto Mileip, diretor de Relações Institucionais do Sindipol/ES, a reestruturação institucional foi finalizada no aspecto formal, mas a parte referente à remuneração, considerada crucial pela categoria, ficou pendente.
Ele destaca que, diante do não cumprimento das promessas feitas ao longo de 2024 e 2025, a mobilização se tornou o único caminho viável para os policiais. O dirigente alega que o governador divulga os bons resultados do programa “Estado Presente”, mas ignora que são os policiais os responsáveis por gerar os índices positivos na segurança pública. “No que se refere à polícia investigativa, somos nós quem afastamos o criminoso do convívio social, quem sustentamos grande parte dos indicadores que o governo exibe. Não é compreensível que uma gestão que afirma priorizar a segurança e valorizar os servidores deixe de finalizar a última etapa da reestruturação da nossa carreira”, argumenta.
A liderança ressalta que a demanda não é por um aumento linear, mas por um ajuste nos vencimentos decorrente da nova estrutura do cargo, que passou a agregar funções com maior complexidade, responsabilidade e autonomia. O índice sugerido pelo sindicato como referência para essa recomposição é de 18%.
Ele relata que, ainda durante as discussões que precederam a consolidação do novo cargo, em 2024, o Estado se comprometeu a realizar o ajuste. A categoria se sentiu frustrada ao esperar durante todo o ano por uma proposta concreta para adequar a tabela de subsídios ainda em 2025. Em um encontro em dezembro passado, com representantes da Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger) e da Secretaria de Economia e Planejamento (SEP), o governo também assegurou que apresentaria um estudo de impacto financeiro para dar início às tratativas, mas não houve resposta.
A atual gestão realizou revisões recentes nos vencimentos de outras carreiras da segurança pública, como policiais penais, peritos e delegados. No entanto, os investigadores entendem que foram deixados de lado, conforme reforça o representante sindical.
Humberto relata que a categoria “está indignada” e pondera que a corporação possui mais de 1,7 mil policiais civis, considerando todas as funções, o que tornaria o impacto financeiro “bastante razoável” diante da condição fiscal do estado. O movimento não exclui a realização de atos públicos ou outras formas de protesto, conforme alerta o porta-voz da entidade.







