Com a divulgação dos resultados do Sisu no mês passado, uma nova turma de estudantes ingressou no ensino superior. Para quem não conseguiu a aprovação, surge a dúvida: quais são os próximos passos? Nesse período de incerteza, é possível redefinir estratégias, intensificar a preparação e conquistar a vaga desejada no próximo ano.
Clayton Santos, professor orientador do Anglo Alante em São José dos Campos, compartilha orientações sobre métodos de estudo, organização do espaço e postura que podem melhorar o rendimento nas provas.
Regule sua relação com as telas
A interação entre alunos, escolas e dispositivos móveis ganhou destaque, especialmente após a lei que restringe o uso de celulares em sala de aula. No entanto, durante o estudo individual, focar nos livros em vez das telas é uma ação que exige controle e perseverança, mas traz resultados positivos e acelera a assimilação do conteúdo.
“Na educação, é fundamental encará-la como um processo de lapidação pessoal. É preciso estabelecer uma meta e dedicar-se para alcançá-la. Segundo Aristóteles, o princípio de toda sabedoria está em conhecer a si próprio”, comenta o educador. “Portanto, é crucial entender os próprios limites. Se você sabe que a proximidade do telefone causa distração, o ideal é afastá-lo ou desativar as notificações”, ele complementa.
Descanso é essencial
A preparação para os vestibulares muitas vezes é associada à ideia de estudar até a exaustão. Fatores como ansiedade e pressão interna também impactam a rotina de quem tentará novamente. Por isso, reservar momentos para relaxar e cuidar do bem-estar psicológico é uma etapa indispensável. “Um aluno pode dedicar sete horas aos estudos. Como, então, ele deve descansar? Uma opção é equilibrar o tempo de estudo com o de repouso”, sugere o professor.
Segundo ele, essa tática se assemelha à lógica dos treinos físicos. “É uma analogia direta com a musculação. Na academia, há um desgaste dos músculos. Ao voltar para casa, a pessoa não continua levantando peso; ela descansa para permitir a recuperação. Com os estudos, o raciocínio é o mesmo. Se o descanso não for incluído na agenda, o cansaço acumulado no dia seguinte pode atrapalhar todo o processo”, adverte.
Tudo se resume a encontrar um equilíbrio. Clayton Santos compara a trajetória a uma maratona. “Trata-se de uma prova de resistência física e intelectual. Por isso, é necessário preservar a integridade do corpo e da mente”, detalha.

Elabore um cronograma de estudos
Ainda há um ano completo até o período dos principais exames. Começando por volta de outubro, a preparação exige um planejamento que considere não apenas os calendários das provas, mas também o Enem, as diferentes fases dos vestibulares e os compromissos pessoais. A maneira mais eficaz de harmonizar todos esses aspectos e se organizar é criando um cronograma de estudos.
“Para construir um planejamento, é preciso listar itens essenciais em uma planilha: horário para dormir, período das aulas (seja na escola ou no cursinho) e atividades individuais importantes para o aluno, como hobbies. Uma vez que tudo isso esteja mapeado, vários intervalos de tempo ficarão evidentes”, esclarece o orientador.
É nesses espaços disponíveis que as metas e os períodos dedicados ao estudo serão estabelecidos. “Nessas lacunas, o vestibulando começará a distribuir seus objetivos. Se a meta são três horas semanais de física, com esses intervalos, é possível dividir em, por exemplo, três sessões de uma hora ou seis de meia hora”, indica Clayton Santos.
Estude de forma ativa
O conceito de estudo, às vezes, é vinculado apenas a assistir aulas e videoaulas, que são recursos pedagógicos valiosos. No entanto, para quem almeja a aprovação, é importante adotar uma metodologia de aprendizagem mais participativa.
“Aula e estudo, assim como aprender e compreender, são coisas diferentes. A aula é um momento passivo, em que o professor expõe o conteúdo e o aluno assimila. Existe, porém, uma segunda etapa, que é o momento de estudar, revisar o material, ou seja, aplicar tempo e concentração em tarefas próprias”, explica Clayton Santos.
Ele também enfatiza a necessidade de um ambiente propício para um estudo ativo: um local organizado e tranquilo onde o estudante consiga se concentrar e fazer sua parte.






