A volta às aulas recoloca um tema que costuma ficar invisível ao longo do ano, a saúde mental de quem sustenta a rotina escolar. Entre planejamento, sala cheia, conflitos do dia a dia e demandas que vão além do conteúdo, muitos professores começam o ano já no limite. Dados do TALIS 2024 indicam que 21% dos docentes no Brasil se declaram muito estressados no trabalho, um sinal de que o desgaste deixou de ser exceção e passou a fazer parte do cenário.
Esse peso também aparece quando o problema vira afastamento. Em 2024, o INSS registrou 472.328 benefícios por incapacidade temporária concedidos por transtornos mentais e comportamentais, mostrando como o adoecimento psíquico tem impacto direto na continuidade do trabalho.
Para Karen Scavacini, psicóloga e pesquisadora, doutora em Psicologia pela USP e fundadora do Instituto Vita Alere, esses números ajudam a explicar por que o retorno às aulas tende a ser um período crítico, já que concentra reorganização de rotina, aumento de demanda e pouco espaço para recuperação. “A gente normalizou o professor no limite, como se fosse parte da profissão. Mas estresse constante não é sinal de dedicação, é sinal de risco. Prevenção não é só palestra, é rotina possível, gestão de demanda e um sistema de apoio que funcione quando alguém começa a dar sinais de esgotamento”, afirma.
O debate, portanto, não passa apenas por reconhecer que há desgaste, mas por entender o que escolas e redes de ensino conseguem colocar de pé para reduzir a sobrecarga e evitar que o adoecimento se torne regra. Medidas como organização mais realista do trabalho, pactos claros de convivência, apoio entre equipes, fluxos de encaminhamento e uma cultura de cuidado no ambiente escolar entram como parte da solução, sobretudo no começo do ano, quando o ritmo acelera e a pressão aparece antes que a rotina se estabilize.
Sobre Instituto Vita Alere
O Instituto Vita Alere é uma organização nacional dedicada à promoção da saúde mental, com foco na convergência entre tecnologia, educação, pesquisa aplicada e cuidado emocional. Fundado em 2013 pela psicóloga e pesquisadora Karen Scavacini, o instituto desenvolve iniciativas como mapeamento de serviços, incluindo a criação do Mapa Saúde Mental, formação de profissionais, programas de educação emocional e consultorias para escolas, empresas e plataformas digitais. Também conduz estudos em saúde digital, inteligência artificial e em temas relacionados à prevenção do suicídio, que integra uma de suas frentes de atuação.
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